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Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Mestrando em Ciência Animal e Pastagens pela UFRPE.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mulheres na Zootecnia (depoimentos)

Quem nunca ouviu dizer que Zootecnia é um curso meramente masculino, discordo plenamente, tanto que o número de mulheres matriculadas nos cursos de Zootecnia tem crescido nos últimos anos e que também é crescente o número de Zootecnistas mulheres no mercado de trabalho muitas vezes fazendo trabalhos antes ditos como masculinos. Diante do exposto o Blog Zootecnia é Dez colheu o depoimento de mulheres ligadas a Zootecnia (estudantes e profissionais) provando que atualmente nossa profissão é para todos os gêneros.

Letícia Rentz Goltz – Estudante de Zootecnia / Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG/Campus Castro-PR
Letícia Rentz Goltz - Estudante de Zootecnia UEPG/Castro-PR

Já muito cedo conheci o que era o amor pelos animais. Desde pequena vivo no campo, e o que era apenas brincadeira mudou de cara quando conheci a tal da Zootecnia. A partir daí, percebi que era possível usar esse amor de uma forma que realmente fosse efetiva. Não tive mais dúvidas. Era esse o curso, era esse meu futuro. Aliar uma paixão com minha profissão, e pra isso batalhei sempre, com muita dedicação, desde que fixei essa idéia em minha mente. Cheguei a ouvir que "Zootecnia era curso pra homem", mas nunca me deixei levar por esse falso conceito, já que acho que competência não tem sexo. Certas coisas só me fizeram ter mais vontade de chegar lá. E cheguei. Meu nome estava na lista de aprovados no vestibular. Essa foi a carta branca, o empurrão pra poder dizer "vai, agora é com você!". Entrei em uma turma de maioria feminina, pensei... não era esse o "curso pra homem"? Tá aí a prova de que competência não depende de gênero, mas sim, de força de vontade. A Zootecnia está cada vez mais "feminina". A cada turma de calouros, mais mulheres com a mesma vontade e com os mesmos objetivos que eu tinha e que hoje, no último ano da faculdade, estão quase se tornando realidade. O que não dá é pra desistir, nunca mesmo."

Luciana Pontes da Silva - Zootecnista
Zootecnista Luciana Pontes

A mulher na Zootecnia

Primeiro deveríamos falar sobre o espaço e conquistas da mulher junto a Zootecnia. Mas esta conversa seria muito longa e caberia a mim até escrever um livro, exaltando as glorias e conquistas maravilhosas de ambas. Mas no momento essa não é minha intenção.
A mulher, a cada dia conquista mais seu espaço na Zootecnia como em qualquer outra profissão.
A Zootecnia mudou e vem mudando. Hoje a Zootecnia é tratada, merecidamente, como uma profissão promissora, consistente e de fundamental importância para o desenvolvimento, sustentável, econômico, social e cultural no Brasil. E sendo um pouco ousada, porque não no mundo.
Mas além dos aspectos já citados, vem também a preocupação de produzir e oferecer um produto pecuário de altíssima qualidade, ai podemos falar e pensar no avanço da ciência do Bem-Estar na produção animal, uma das consequências disso, está a exigência dos consumidores e logico das mulheres, sempre de olho nas tendências do mercado e na sensibilidade de produzir com qualidade neste mercado.
Nós Mulheres, mães, irmãs, tias, avós, filhas, amigas, cunhadas, primas, noras, sogras, seres humanos e Zootecnistas, estamos lutando para melhorar cada vez mais nossa profissão, nossas vidas e por que não o mundo.
"A Mulher na Zootecnia, como separar os dois momentos marcos na historia".

Raiany Loureiro Engelhardt - Zootecnista.
Zootecnista Raiany Loureiro Engelhardt

Mulher dentro da Zootecnia

Por muitos anos não se pensava em ver uma mulher trabalhando no campo, tinha certo preconceito de que nós mulheres não tínhamos capacidade para administrar e lidar com o rebanho (seja de qual for a espécie). Essa crença foi desmitificada com o passar dos anos com o empenho e dedicação das mulheres apaixonadas pelo seu trabalho no campo integrado a criação. Minha experiência na Zootecnia vem desde o curso técnico (Escola Agrotécnica Federal de Santa Teresa/ES – Atualmente IFES de Santa Teresa) Na turma de quase 40 alunos se formaram 12 pessoas, sendo três mulheres. Em muitas instituições o número de mulheres é superior ou igual ao número de homens na sala de aula no curso de zootecnia. Mesmo sendo a minoria no curso, não tínhamos tratamento diferencial ou preferencial, que eu acho isso muito importante para nossa formação, o mesmo recebi na faculdade que me formei (Universidade de Vila Velha – ES), havia mais homens do que mulheres e também não houve distinção de sexo para realizar as tarefas em campo e em sala. A conduta dos professores perfeitamente correta na sala de aula, só nos mostrou que somos iguais perante o mesmo trabalho. O fato de nós mulheres termos “menos força” não justifica que não somos capazes. As experiências adquiridas nos estágios foram as melhores possíveis, e o reconhecimento através das palavras por eu ter superados as expectativas me fez ainda mais acreditar no meu potencial. O professor ensina o conteúdo e fala como é trabalhar no campo. Cabe a nós sabermos nos comportar, agir, falar e trabalhar corretamente para sermos respeitadas e conquistar o nosso lugar no espaço.
As mulheres tem uma característica que se destaca sobre os homens que é ser detalhistas, proporcionando ter mais cuidado e capricho, sem contar no extinto matriarca que ajuda muito nas criações de cria e recria.
Em casa, não tenho problemas com meu pai e funcionário na hora de intervir com outro método de trabalho e dar novas ideias, pelo contrário, conversamos muito sobre o assunto e chegamos uma conclusão.
Para finalizar, Não deixe falar que você é um sexo frágil e incapaz de realizar uma tarefa destinada, cada um tem suas qualidades e métodos diferentes de proceder, cabe a nós aprimorar o conhecimento e buscar estratégias para sair do problema.

Elyne Silva – Zootecnista - Prefeitura de Arapiraca/AL
Zootecnista Elyne Silva

Minha experiência como mulher na Zootecnia até agora tem sido tranquila. Entre os 'doutores' prevalece o respeito e reconhecimento. Já quando partimos para meio rural, quando atravessamos a porteira da fazenda as coisas mudam um pouco. Algumas vezes, não a maior parte, os produtores não acreditam na credibilidade da profissional. Num primeiro contato até podem dar ouvidos ao que temos a dizer, mas basta virarmos as costas para que nada do que foi recomendado seja feito. Claro que com os Zootecnistas também acontece isso, mas creio que com as Zootecnistas o preconceito seja maior. Mas de forma geral, vejo que a profissional da Zootecnia, bem como das outras Ciências Agrárias, estão conquistando respeito devido ao trabalho de qualidade que vem executando e aos poucos ganhando seu espaço nesse mundo moderno. Acredito que as Zootecnistas estão conseguindo manejar bem o meio e as pessoas com quem trabalham.

Bruna Rufino dos Santos – Estudante de Zootecnia / Universidade Federal de Roraima - UFRR
Bruna Rufino dos Santos - Estudante de Zootecnia - UFRR

Minha experiência na Zootecnia começa com aquela que acredito eu, todos os acadêmicos de Zootecnia já passaram, de praxe você tem que responder aquelas típicas perguntas: O que é Zootecnia? Porque não fez Veterinária então? ou Zootecnia não é um curso para Homens? rsrsr.. Tive que responder essas perguntas no começo do Curso, no meio do Curso e ainda respondo ate hoje na reta final.. rsrs
Ao longo do Curso tive oportunidade de trabalhar em alguns programas, como Pibic e PET, alem de compor o Centro Acadêmico, foram ótimas experiências e as recomendo para todos, você cria laços com colegas e ganha muitos conhecimentos com os tutores..
Trabalhei como estagiaria voluntaria na EMBRAPA Roraima, onde acompanhei experimentos das tecnologias empregadas na produção animal e também pude ficar em contato direto com alguns produtores do Estado que disponibilizam suas propriedades para os projetos da Embrapa, como pretendo focar meu trabalho para parte de extensão, foi uma grande oportunidade de conhecer os produtores.. foi possível observar que a Zootecnia do Estado ainda é pouco difundida, grande parte das funções são desenvolvidas por veterinários,.. Não desmerecendo o trabalho que eles realizam, mais acredito que temos plena capacidade de ocuparmos o nosso devido lugar no mercado de trabalho.. Isso só aumentou a vontade de me capacitar cada vez mais, para que ao me formar possa desenvolver um excelente trabalho como Zootecnista..  ..
A Zootecnia hoje não é apenas um curso é praticamente um estilo de vida. Amo o que faço e mesmo com as dificuldades que sei serão inevitáveis não irei desistir, trabalharei arduamente..

Tuane Gonçalves – Estudante de Zootecnia / Universidade Federal do Ceará - UFC

Entrei na Zootecnia sabendo muito pouco da sua área de atuação, mas com o tempo fui vendo o quanto é abrangente e fascinante as áreas que um Zootecnista pode trabalhar e quando percebi já estava apaixonada por essa profissão.
Dentro da faculdade já trabalhei nas áreas de forragicultura, apicultura e reprodução animal, que é onde estou trabalhando atualmente, ajudando no experimento do setor e aproveitando para adquirir conhecimento nesta área, de grande importância em uma propriedade.
Participo do grupo de estudos em apicultura, onde fazemos semanalmente reuniões para discutir assuntos e novidades da área e também para organizar e preparar trabalhos que são desenvolvidos no apiário da faculdade.
Participo também, da empresa júnior de zootecnia da faculdade, onde tive a oportunidade de ter uma vivência direta com a realidade do campo e com as dificuldades que o profissional e o produtor enfrenta no seu dia a dia em uma propriedade. É importante o aluno conviver com essa realidade do campo na sua graduação, muitos só vão ter essa experiência no momento do estagio e acabam tendo muitas dificuldades em se adaptar, então quanto antes essa vivencia melhor para sua carreira profissional.
 Em relação as minhas dificuldades na área, como mulher... não tive nenhum preconceito...até porque na minha faculdade o curso de zootecnia tem mais mulheres do que homens (por incrível que pareça...hehehe).

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Entrevista com Elyne Silva, Zootecnista da Prefeitura de Arapiraca/AL

Como sabemos o Zootecnista é fundamental em qualquer esfera de poder seja ela Municipal Estadual ou Federal e para falar um pouco sobre a importância do Zootecnista nas prefeituras o Blog Zootecnia é 10 tem a honra de entrevistar Elyne Silva, Zootecnista graduada pela UFRPE/UAG em 2011 e aprovada em primeiro lugar no concurso da Prefeitura Municipal de Arapiraca em Alagoas.
Fonte: Elyne Silva
Zootecnista Elyne Silva em mais um dia de trabalho.

1. Qual a importância do Zootecnista para uma prefeitura?
Ter um Zootecnista no quadro de funcionários de uma Prefeitura é de fundamental importância para o desenvolvimento do meio rural de um município, pois, de forma gratuita, os produtores têm acesso ao conhecimento técnico e novas tecnologias que o Zootecnista pode fornecer. Creio que a maior importância desse profissional é na prestação de assistência técnica de qualidade para os pequenos produtores que, algumas vezes, não possuem condições de ter assistência particular e ficam muito satisfeitos quando sabem que podem contar com assistência técnica sempre que necessita.

2. Como é o trabalho de um Zootecnista em uma Prefeitura?
O Zootecnista de uma Prefeitura atua prestando assistência técnica aos produtores rurais do município através de visitas periódicas às propriedades para acompanhamento da produção, dando orientações sobre manejo em geral, sanidade e todos os aspectos que influenciam a produtividade da propriedade. Além dessa parte de visitas, o Zootecnista pode organizar palestras, dias de campo e cursos com temas específicos que atendam às necessidades da região em que trabalha. O Zootecnista não trabalha só, é necessário que haja médico veterinário, agrônomo e técnico agrícola no quadro de funcionários da Prefeitura para que possam, em conjunto, realizar um trabalho completo no meio rural.

3. Em sua opinião, o que falta para que haja aumento no número de vagas para os Zootecnistas em concursos públicos nas prefeituras?
Acredito que os produtores rurais devem pressionar as Secretarias de Agricultura dos municípios para evidenciar a grande necessidade e carência de assistência técnica no meio rural. Se a demanda por profissionais das ciências agrárias for expressiva, as autoridades municipais atentarão para a necessidade de incluir mais Zootecnistas no quadro de funcionários para que o município possa se desenvolver em todos os aspectos. Além da pressão local que os produtores devem fazer às autoridades, o Conselho também deveria pressionar as autoridades competentes e brigar para que fosse obrigatório a presença do Zootecnista no quadro de funcionários das Secretarias de Agricultura dos municípios. Só assim haveria aumento do desenvolvimento do meio rural.

4. Quais as qualidades que o Zootecnista deve possuir para desempenhar com êxito suas funções dentro do serviço público municipal?
O Zootecnista de uma prefeitura deve possuir acima de tudo paixão pelo que faz. Não adianta um profissional entrar no serviço público se não tiver perfil extensionista, pois não vai executar um trabalho com excelência. Deve também possuir jogo de cintura para conseguir com que seu trabalho seja executado pelos produtores rurais, principalmente se o técnico não for nascido na região em que está trabalhando, o que é meu caso. (risos) O profissional deve ter sede de conhecimento e sempre estar se atualizando, pois a cada dia surgem novos casos que demandam novas tecnologias. E por fim... Deve possuir paciência, pois o serviço público é bastante complexo, para não dizer complicado, e muitas vezes a 'vontade de fazer' do Zootecnista é barrada pelas burocracias e limitações de infra estrutura do serviço público municipal.

E-mail para contatos: elynemorgana@hotmail.com

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A importância do Zootecnista nas prefeituras

Muitos municípios Brasil afora sofrem com a falta de planejamento no setor agropecuário principalmente por parte das Prefeituras e quem sempre acaba sofrendo com isso é o produtor, principalmente os pequenos. Os criadores de bovinos, caprinos, ovinos, aves e suínos, muitas vezes dependem da orientação de profissionais que os ajudem a aumentar sua produtividade com a elaboração de projetos que atendam suas necessidades. Este profissional é o Zootecnista que entre suas funções destacam-se de acordo com o Art. 3º alíneas a, b, c e d da Lei Federal 5.550/68. Planejar, dirigir e realizar pesquisas que visem a informar e a orientar a criação dos animais domésticos, em todos os seus ramos e aspectos; promover e aplicar medidas de fomento à produção dos mesmos, instituindo ou adotando os processos e regimes, genéticos e alimentares, que se revelarem mais indicados ao aprimoramento das diversas espécies e raças, inclusive com o condicionamento de sua melhor adaptação ao meio ambiente, com vistas aos objetivos de sua criação e ao destino dos seus produtos; exercer a supervisão técnica das exposições  oficiais e a que eles concorrem, bem como a das estações experimentais destinadas à sua criação; participar dos exames a que os mesmos hajam de ser submetidos, para o efeito de sua inscrição nas Sociedades de Registro Genealógico.
Isso deixa claro que o Zootecnista é fundamental para o desenvolvimento dos municípios brasileiros uma vez que ele promoverá um acréscimo na renda destes produtores através do aumento da produtividade de seus rebanhos, criando com isso o aumento de vagas para empregos nessas propriedades o que certamente acarretará em geração de renda para outras famílias e consequentemente para os cofres municipais.
Más infelizmente a realidade não é essa, pouquíssimas prefeituras abrem concursos para Zootecnistas e quando o fazem oferecem pouquíssimas vagas além de ofertarem salários muito baixos sem contar que muitos prefeitos cometem o grave erro de achar que o Agrônomo ou o Veterinário fazem o mesmo trabalho do Zootecnista, e esse é um dos motivos pelo qual o nicho de empregos para os Zootecnistas é tão baixo.
O que fazer para mudar? A resposta é simples, se tivéssemos um conselho atuante que defendesse nossas necessidades e divulgasse nossa profissão talvez a situação fosse outra.
Fonte:http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/maio/dia-do-zootecnista.php
Zootecnista em ação
Nutrição animal, área principal do Zootecnista

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A importância das mulheres na produção animal

A participação de mulheres em criações comerciais é crescente e tem se tornado um bom negócio para os criadores. Em várias propriedades é notória a presença feminina em salas de ordenha, em bezerreiros, etc. Segundo depoimento de alguns produtores, as mulheres são mais cuidadosas e organizadas que os homens e por possuírem instinto materno são excelentes no manejo de crias. Em matéria publicada pela revista Leite DPA de junho de 2011, as propriedades de sucesso são aquelas em que as mulheres também estão inseridas no processo produtivo.
Pesquisas demonstram que a produção leiteira de propriedades do sul do país aumentaram depois que mulheres começaram a trabalhar. Ainda segundo a mesma revista, quando as mulheres estão presentes, elas se mostram bem receptivas aos treinamentos que recebem e os aplicam corretamente na propriedade. Inclusive são bem mais cuidadosas na higiene da ordenha.
Portanto seja como mão de obra, seja na administração, as mulheres são sinônimo de eficiência em qualquer setor do agronegócio.
Fonte: Bismarck Passos
Mulher trabalhando na ordenha

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Capim Quicuio (Pennisetum Clandestinum)

O capim quicuio é de origem africana, foi introduzido no Brasil em 1923. É uma gramínea perene de porte geralmente baixo (40 a 60 cm), que forma densos gramados de folhas estreitas e longas com colmos enraizados de mais de dois metros, com reprodução exclusivamente por rizomas e estolões.
Estolão - Capim Quicuio
Fonte: Bismarck Passos
Pastagem de Quicuio

É descrita como espécie de clima subtropical úmido, próprio de altitudes superiores a 1500 metros, muito exigente em fertilidade e solos com altos teores de matéria orgânica, resistente ao pisoteio e a secas temporárias e por ser muito agressivo não serve para utilização em consórcio com outras espécies e é suscetível a pragas como a cigarrinha das pastagens.
Fonte: Bismarck Passos
Pastejo em Capim Quicuio
Fonte: Bismarck Passos
Cigarrinha das pastagens

O capim quicuio destaca-se por possuir elevados níveis de FDN (66,01%) e PB (18,05%). O quicuio apresenta potencial de produção de leite superior às demais gramíneas tropicais.
Fonte: Bismarck Passos
Capim Quicuio

terça-feira, 31 de julho de 2012

Leucena (Leucaena leucocephala)

A leucena é uma leguminosa perene de porte arbustivo a arbóreo, é oriunda da América Central, possui sistema radicular profundo; suas folhas são bipenadas  de 15 a 25 cm de comprimento, possuindo de 10 a 15 pares de folíolos oblongo-lineares; suas flores são agrupadas em uma cabeça globular, solitária e axilar; seus frutos são vagens finas e achatadas, acuminadas com 15 a 25 sementes de coloração marrom-brilhantes, sua germinação ocorre no início do período das águas e possui dormência de uma ano.
Folhas, flor e fruto da leucena

forma arbórea da leucena

Sementes e fruto da leucena

Esta leguminosa é utilizada na alimentação animal; na adubação verde através da incorporação do nitrogênio pelas folhas decíduas, pelos nódulos das raízes que possuem bactérias fixadoras de nitrogênio, que ao morrerem enriquecem o solo com este elemento; como sombreamento possibilitando uma zona de conforto sem prejudicar a pastagem uma vez que a leucena possui uma copa aberta que favorece a penetração dos raios solares.
Bovino pastejando leucena

Existem mais de 100 variedades de leucena que são classificadas em três grupos de acordo com a velocidade de crescimento e hábito de ramificação.

Tipo Havaiano: Plantas baixas, com até 5 metros de altura, bem ramificadas, florescimento precoce e baixa produção de matéria seca.

Tipo Salvadorenho: Plantas muito altas, com até 20 metros de altura, eretas e pouco ramificadas, florescimento tardio com alta produção de forragem, madeira e lenha.

Tipo Peru: Plantas altas chegando a 15 metros, eretas e bem ramificadas desde a base, florescimento tardio com alta produção de forragem.

A leucena é uma planta de desenvolvimento lento, principalmente na primeira fase depois da germinação, apresenta baixa competição com plantas invasoras e por sua palatabilidade atrai formigas cortadeiras e lebres. Entretanto após se estabelecer rebrota e cresce vigorosamente. É uma planta tolerante a seca, porém se esta for prolongada seus folíolos caem, possui preferência por solos bem drenados e com pouca acidez.
Sua produção forrageira é estimada em 15 toneladas de matéria seca consumível porém seu consumo recomendado é de até 3% do peso vivo do animal ou 30% do total ingerido pelo animal diariamente devido a uma substancia chamada mimosina presente nos brotos e folhas. Os sintomas são a queda de pelos na cabeça e na inserção da cauda, devendo-se evitar a exposição desses animais ao sol para que o local afetado sofra queimaduras, os bovinos são mais resistentes a essa substancia. A leucena não é recomendada para eqüinos por serem mais sensíveis a mimosina que os bovinos.

CARACTERÍSTICAS BASICAS

Nome científico: Leucaena leucocephala
Origem: América Central
Ciclo vegetativo: perene
Número de cromossomos: 52 ou 56
Temperatura: ótima 25 a 30°C
Forma de crescimento: arbóreo, podendo alcançar até 20 m de crescimento livre
Altura da planta para pastejo: mantê-la a 1,0 m de altura
Forma de uso: pastejo, fenação e sombreamento (Café, Cacau etc)
Digestibilidade: satisfatória
Palatabilidade: satisfatória
Precipitação pluviométrica requerida: 800 a 1.500 mm/ano
Produção da matéria seca: 12 a 20 t MS/ha/ano
Produção de semente: 3.000 kg/ha
Teor de proteína na matéria seca: 21 a 22%, média anual
Tolerância a insetos e doenças: sensível ao inseto Heteropsylla cubana e aos fungos Araecerus Levipennis, Pythium e Rhyzoctonia



FONTE:

VALADARES FILHO, S.C et al. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos.  3. Ed. – Viçosa, MG: UFV/DZO, 2010

quinta-feira, 26 de julho de 2012

SILAGEM DE MILHO

No Brasil e no mundo o milho é a forrageira mais utilizada para a produção de silagem pois o mesmo pode ser plantado em qualquer região do país, produzir uma boa quantidade de massa verde por hectare, possuir facilidade de fermentar e por produzir uma silagem de bom valor energético devido a presença dos grãos.

Quando ensilar o milho?

O momento da colheita é essencial quando se pretende produzir silagem de ótima qualidade. Quando o material a ser ensilado é colhido antes do momento ideal pode apresentar dois problemas, o primeiro é que o teor de umidade é muito alto e nessa situação haverá produção de muito chorume que é rico em carboidratos solúveis e representa uma perda considerável de nutrientes. O segundo problema a lavoura poderá apresentar um baixo percentual de grãos e consequentemente baixo teor energético. Quando colhido após o ponto ideal, o material a ser ensilado apresentará dificuldade de ser picado pelas máquinas e seu rendimento será menor e a compactação de um material seco é bem mais difícil o que favorece uma maior presença de oxigênio na massa ensilada. Portanto quanto maior o volume de oxigênio, maior será a respiração celular, a produção de calor, o tempo para se iniciar a fermentação e a perda de nutrientes.
O ideal é ensilar o milho quando o teor de matéria seca estiver entre 33% e 35%, existem algumas maneiras de verificar o teor de matéria seca, o primeiro é pela consistência dos grãos e o segundo pela posição da linha do leite.
À medida que a planta envelhece, os grãos tornam-se mais duros, assim, a consistência dos grãos evolui passando pelos  pontos de pamonha, farináceo e duro. Quando os grãos estiverem no ponto farináceo, o teor de matéria seca estará entre 30% e 35%. O ponto de ensilagem é quando o grão pode ser esmagado com os dedos e a umidade é suficiente apenas para umedecê-los.


Corte da forragem

A forragem deve ser picada no tamanho entre 1 e 2 cm, isso facilita a acomodação do material dentro do silo favorecendo uma melhor compactação e expulsão do ar; deixa os carboidratos solúveis mais expostos para que a fermentação seja mais rápida e completa; quebra os grãos para que o amido seja degradado mais rapidamente no rúmen; evita a seleção pelo animal no cocho havendo uma redução nas sobras.
Fonte: Bismarck Passos
Compactação da massa ensilada


Enchimento do Silo (trincheira)

O silo deve ser forrado com uma lona nova e integra (sem furos). A forragem deve ser descarregada na área forrada e o material espalhado na área do silo. Ao mesmo tempo deve-se compactar as camadas de forragem com o objetivo da se expulsar as camadas de ar da massa ensilada. Para a compactação deve-se escolher um trator mais pesado, podendo ser de pneu ou de esteira. Após concluído o enchimento o silo deve ser vedado com uma lona sem furos, as laterais devem enterradas, devem ser feitos drenos ao redor do silo e cercas para evitar que animais pisoteiem e furem a lona que deve ser coberta com capim, terra ou areia, pneus velhos podem ser utilizados sobre o silo. Mantenha o silo fechado por pelo menos 30 dias para garantira que o material ensilado seja completamente fermentado sem comprometer a qualidade e o valor nutritivo da silagem.
Fonte: Bismarck Passos
Silo completamente vedado