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Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Mestrando em Ciência Animal e Pastagens pela UFRPE.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Leucena (Leucaena leucocephala)

A leucena é uma leguminosa perene de porte arbustivo a arbóreo, é oriunda da América Central, possui sistema radicular profundo; suas folhas são bipenadas  de 15 a 25 cm de comprimento, possuindo de 10 a 15 pares de folíolos oblongo-lineares; suas flores são agrupadas em uma cabeça globular, solitária e axilar; seus frutos são vagens finas e achatadas, acuminadas com 15 a 25 sementes de coloração marrom-brilhantes, sua germinação ocorre no início do período das águas e possui dormência de uma ano.
Folhas, flor e fruto da leucena

forma arbórea da leucena

Sementes e fruto da leucena

Esta leguminosa é utilizada na alimentação animal; na adubação verde através da incorporação do nitrogênio pelas folhas decíduas, pelos nódulos das raízes que possuem bactérias fixadoras de nitrogênio, que ao morrerem enriquecem o solo com este elemento; como sombreamento possibilitando uma zona de conforto sem prejudicar a pastagem uma vez que a leucena possui uma copa aberta que favorece a penetração dos raios solares.
Bovino pastejando leucena

Existem mais de 100 variedades de leucena que são classificadas em três grupos de acordo com a velocidade de crescimento e hábito de ramificação.

Tipo Havaiano: Plantas baixas, com até 5 metros de altura, bem ramificadas, florescimento precoce e baixa produção de matéria seca.

Tipo Salvadorenho: Plantas muito altas, com até 20 metros de altura, eretas e pouco ramificadas, florescimento tardio com alta produção de forragem, madeira e lenha.

Tipo Peru: Plantas altas chegando a 15 metros, eretas e bem ramificadas desde a base, florescimento tardio com alta produção de forragem.

A leucena é uma planta de desenvolvimento lento, principalmente na primeira fase depois da germinação, apresenta baixa competição com plantas invasoras e por sua palatabilidade atrai formigas cortadeiras e lebres. Entretanto após se estabelecer rebrota e cresce vigorosamente. É uma planta tolerante a seca, porém se esta for prolongada seus folíolos caem, possui preferência por solos bem drenados e com pouca acidez.
Sua produção forrageira é estimada em 15 toneladas de matéria seca consumível porém seu consumo recomendado é de até 3% do peso vivo do animal ou 30% do total ingerido pelo animal diariamente devido a uma substancia chamada mimosina presente nos brotos e folhas. Os sintomas são a queda de pelos na cabeça e na inserção da cauda, devendo-se evitar a exposição desses animais ao sol para que o local afetado sofra queimaduras, os bovinos são mais resistentes a essa substancia. A leucena não é recomendada para eqüinos por serem mais sensíveis a mimosina que os bovinos.

CARACTERÍSTICAS BASICAS

Nome científico: Leucaena leucocephala
Origem: América Central
Ciclo vegetativo: perene
Número de cromossomos: 52 ou 56
Temperatura: ótima 25 a 30°C
Forma de crescimento: arbóreo, podendo alcançar até 20 m de crescimento livre
Altura da planta para pastejo: mantê-la a 1,0 m de altura
Forma de uso: pastejo, fenação e sombreamento (Café, Cacau etc)
Digestibilidade: satisfatória
Palatabilidade: satisfatória
Precipitação pluviométrica requerida: 800 a 1.500 mm/ano
Produção da matéria seca: 12 a 20 t MS/ha/ano
Produção de semente: 3.000 kg/ha
Teor de proteína na matéria seca: 21 a 22%, média anual
Tolerância a insetos e doenças: sensível ao inseto Heteropsylla cubana e aos fungos Araecerus Levipennis, Pythium e Rhyzoctonia



FONTE:

VALADARES FILHO, S.C et al. Tabelas brasileiras de composição de alimentos para bovinos.  3. Ed. – Viçosa, MG: UFV/DZO, 2010

quinta-feira, 26 de julho de 2012

SILAGEM DE MILHO

No Brasil e no mundo o milho é a forrageira mais utilizada para a produção de silagem pois o mesmo pode ser plantado em qualquer região do país, produzir uma boa quantidade de massa verde por hectare, possuir facilidade de fermentar e por produzir uma silagem de bom valor energético devido a presença dos grãos.

Quando ensilar o milho?

O momento da colheita é essencial quando se pretende produzir silagem de ótima qualidade. Quando o material a ser ensilado é colhido antes do momento ideal pode apresentar dois problemas, o primeiro é que o teor de umidade é muito alto e nessa situação haverá produção de muito chorume que é rico em carboidratos solúveis e representa uma perda considerável de nutrientes. O segundo problema a lavoura poderá apresentar um baixo percentual de grãos e consequentemente baixo teor energético. Quando colhido após o ponto ideal, o material a ser ensilado apresentará dificuldade de ser picado pelas máquinas e seu rendimento será menor e a compactação de um material seco é bem mais difícil o que favorece uma maior presença de oxigênio na massa ensilada. Portanto quanto maior o volume de oxigênio, maior será a respiração celular, a produção de calor, o tempo para se iniciar a fermentação e a perda de nutrientes.
O ideal é ensilar o milho quando o teor de matéria seca estiver entre 33% e 35%, existem algumas maneiras de verificar o teor de matéria seca, o primeiro é pela consistência dos grãos e o segundo pela posição da linha do leite.
À medida que a planta envelhece, os grãos tornam-se mais duros, assim, a consistência dos grãos evolui passando pelos  pontos de pamonha, farináceo e duro. Quando os grãos estiverem no ponto farináceo, o teor de matéria seca estará entre 30% e 35%. O ponto de ensilagem é quando o grão pode ser esmagado com os dedos e a umidade é suficiente apenas para umedecê-los.


Corte da forragem

A forragem deve ser picada no tamanho entre 1 e 2 cm, isso facilita a acomodação do material dentro do silo favorecendo uma melhor compactação e expulsão do ar; deixa os carboidratos solúveis mais expostos para que a fermentação seja mais rápida e completa; quebra os grãos para que o amido seja degradado mais rapidamente no rúmen; evita a seleção pelo animal no cocho havendo uma redução nas sobras.
Fonte: Bismarck Passos
Compactação da massa ensilada


Enchimento do Silo (trincheira)

O silo deve ser forrado com uma lona nova e integra (sem furos). A forragem deve ser descarregada na área forrada e o material espalhado na área do silo. Ao mesmo tempo deve-se compactar as camadas de forragem com o objetivo da se expulsar as camadas de ar da massa ensilada. Para a compactação deve-se escolher um trator mais pesado, podendo ser de pneu ou de esteira. Após concluído o enchimento o silo deve ser vedado com uma lona sem furos, as laterais devem enterradas, devem ser feitos drenos ao redor do silo e cercas para evitar que animais pisoteiem e furem a lona que deve ser coberta com capim, terra ou areia, pneus velhos podem ser utilizados sobre o silo. Mantenha o silo fechado por pelo menos 30 dias para garantira que o material ensilado seja completamente fermentado sem comprometer a qualidade e o valor nutritivo da silagem.
Fonte: Bismarck Passos
Silo completamente vedado

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Conservação de Forragem

A conservação de silagens envolve um complexo processo  bioquímico e microbiológico, o material ensilado é conservado através de fermentações, passando por três fases principais.

Fase aeróbica

Envolve a morte dos tecidos das plantas e rápida exaustão do oxigênio, seguido pela proliferação de bactérias aeróbias. Durante essa fase, os carboidratos solúveis (CS) são convertidos em CO2 e H2O nas células das plantas e pelos microrganismos aeróbios com liberação de calor. Esse processo continua até que todo o O2 seja eliminado do meio.
Esta fase é ineficiente em perspectivas de conservação do material ensilado, porém, pode trazer alguns benefícios como: criar condições anaeróbicas; produzir compostos bioquímicos que aumentam a estabilidade da silagem durante o descarregamento do silo. As principais desvantagens de uma fase aeróbia prolongada são: excessiva perda de Matéria Seca (MS); temperaturas elevadas no interior do silo com aumento nos produtos de Maillard e queda na qualidade da silagem.

Fase de colonização (lag-phase)

É uma fase de curta duração (poucas horas) entre a fase aeróbia e a anaeróbia. Nesta fase tem inicio um rápido crescimento de microrganismos anaeróbios que promoverão intensa produção de ácidos orgânicos.

Fase anaeróbica (de fermentação)

É a fase mais longa no processo de ensilagem, continuando até que o pH da forragem seja suficientemente baixo para inibir o crescimento potencial de todos os microrganismos. Esses microrganismos fermentam hexoses (glicose e frutose) e pentoses (ribose e xilose), produzindo etanol, ácidos graxos voláteis (AGV), ácido lático e CO2.
Quanto mais rápida for a fermentação, com rápida acidificação da massa ensilada, melhor será a qualidade da silagem em função da redução nas perdas de matéria seca. O ácido lático é o mais forte, sendo o mais efetivo para o rápido declínio do pH e manutenção da estabilidade da silagem.
Fonte: Arquivo pessoal
Silagem de milho

domingo, 8 de julho de 2012

Biologia e controle de roedores

Os roedores são um problema sério em criações de animais, lá eles encontram um ambiente que atende suas necessidades básicas (alimento, água e abrigo).
As três principais espécies que causam problemas na criação são:

Ratazana ou rato de esgoto (gabiru) – Rattus norvegicus
Rattus Norvegicus

Rato preto ou de telhado – Rattus rattus
Rattuts rattus

Camundongo (catita) – Mus musculus
Mus musculus


Os ratos são causa de graves problemas e prejuízos, pois consomem ração e contaminam a ração não consumida. Para se ter uma idéia, dois ratos em seis meses consomem 14 kg de alimento, produzindo 5,5 L de urina e 25 mil cíbalas de fezes, podendo ainda contaminar os alimentos através de seus pêlos e patas. Podem transmitir várias doenças como: Leptospirose, tifo, salmonelose, hantavírus, além de transportarem ácaros e outros ectoparasitos como a pulga do rato (Xenopsila cheops) que é portadora do agente causador da peste bubônica, mais conhecida como peste negra.
São providos de dentes capazes de roer madeira, chumbo, alumínio, argamassa (3:1 – areia:cimento), tijolo, plástico e cimento.
Possuem visão deficiente, olfato e audição aguçados e o sentido mais desenvolvido é o tato devido à presença de pêlos táteis e vibrissas (bigodes) que atuam como antenas, permitindo que se desloquem com segurança em locais totalmente escuros.
Um fator importante a saber sobre os ratos é seu comportamento social, existem 2 classes. Uma formada pelos machos e fêmeas em idade de reprodução (dominantes) e outra pelos ratos muito jovens e os muito velhos (dominados). Esse comportamento é relacionado com a forma de alimentação, visando a sobrevivência da colônia. Na presença de uma nova fonte de alimento (isca envenenada, por exemplo) apenas os ratos velhos se alimentam. Se nada ocorrer a eles, os dominantes passam a consumir essa fonte alimentar. Por isso que os raticidas usados no controle dessa praga possuem substancias agem lentamente.

CONTROLE

Mecânico – É realizado pelas estruturas das construções que devem dificultar ou impedir o acesso desses animais ao interior das instalações.

·         Construções de alvenaria de tijolos;
·         Vedação das portas, com chapas de lata, ou uso de portas e janelas metálicas;
·         Uso de estrado ripado de madeira, com 30 cm de altura e distante 50 cm das paresdes, para disposição dos sacos de ração;
·         Limpeza do local, com remoção dos entulhos.

Biológico – O uso de inimigos naturais nas criações fica difícil por esses predadores (em geral gatos), também serem portadores de agentes patogênicos para o homem e os animais. Como por exemplo, os gatos que são hospedeiros definitivos do Toxoplasma spp. e, também por isso devem ser descartados da criação.

Químico – O uso de venenos tem sido a alternativa mais utilizada no controle dos ratos. São empregados produtos químicos, com ação anticoagulante, tem sido empregado, pois o veneno será ingerido pelos roedores, sem entrar em contato com os animais, sua concentração deve ser alta para os ratos e baixa para humanos e outros animais.

A utilização das iscas deve ser feita com base em um programa que leve em consideração as habilidades e o comportamento das diferentes espécies de ratos, daí a importância da identificação da espécie.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cavalo de Guerra

Quem nunca ouviu as histórias de Alexandre o Grande que conquistou um vasto império montado em seu cavalo Bucéfalo, que juntos cavalgaram rumo a grandes conquistas formando um grande império. Bucéfalo, seu fiel parceiro era um cavalo da raça Friesian. Há relatos de sua presença também nas batalhas que expandiram o Império Romano e durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) transportou canhões e outras armas pesadas e nela quase foi dizimado.
Alexandre o Grande montado em seu cavalo Friesian Bucéfalo

O cavalo Friesian é o único nativo dos Países Baixos que conseguiu sobreviver à passagem do tempo. As suas origens remontam a séculos atrás. Sendo uma das mais antigas raças na Europa, esteve à beira da extinção várias vezes ao longo do último século. Graças à devoção de um grupo de entusiastas, sobreviveu até o presente, gozando, hoje, de grande popularidade em todo o mundo. É um animal de temperamento dócil e fisicamente bastante robusto, possui boa andadura, pelagem exclusivamente negra e crina farta. É criado principalmente na Frísia, litoral norte dos Países Baixos, de onde se origina seu nome.

O Friesian possui dupla, para montaria e atrelagem. Seu temperamento é bastante favorável para uso amador e adestramento de vários tipos.

Segundo a Revista Globo Rural de dezembro/2009, foi introduzido no Brasil por dois criadores de Curitiba/PR com a finalidade de serem selecionados para hipismo. Foram trazidos sete animais para um haras no município de Campo Magro, nos arredores da capital Paranaense no ano de 2009.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Entrevista com o Zootecnista Elijá Arandas

Muitas vezes o estudante de Zootecnia não se identifica com a carreira acadêmica e prefere procurar seu espaço em empresas públicas ou privadas. Diante disso fomos procurar um Zootecnista que ao sair do meio acadêmico optou por este segmento e está trilhando com sucesso seu caminho pelo mercado de trabalho.
O Blog Zootecnia é 10 tem a honra de entrevistar o Zootecnista Elijá Arandas, natural do município de Jurema-PE, é graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE/UAG) e hoje trabalha na empresa Nordeste Ordenhadeiras.

Elijá Arandas, Zootecnista


Zootecnia é 10: Qual o perfil do Zootecnista para o mercado de trabalho?

Elijá: O Zootecnista deve ser polivalente, onde este pode trabalhar tanto a parte nutricional quanto a parte administrativa, gerenciando propriedades, podendo atuar em qualquer empreendimento ou em fazendas, sempre agindo da melhor forma possível, deve ser dinâmico, bem informado, tem que se manter sempre atualizado não apenas na região onde este está inserido, mas em todo o mundo, uma vez que com essa economia globalizada não dá mais para ficarmos isolados.

Zootecnia é 10: Qual é a média salarial do Zootecnista hoje?

Elijá: Oscila entre R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00.

Zootecnia é 10: Deixe uma mensagem para de incentivo para os Estudantes de Zootecnia e os Zootecnistas recém-formados.

Elijá: Estudem, acreditem, que a Zootecnia não é a profissão do futuro, é a profissão do presente e se vocês saírem da Universidade com uma boa bagagem de conhecimentos não terão dificuldade de encontrar seu lugar no mercado de trabalho.

domingo, 13 de maio de 2012

TUDO PELA ZOOTECNIA.


Há 46 anos em Uruguaiana-RS era dado o pontapé inicial da Zootecnia no Brasil cujo bordão criado pelo Professor Octávio Domingues (patrono da Zootecnia brasileira) era: “Tudo pela Zootecnia”. Estas palavras soavam como um rugido de defesa e de criação de um espaço próprio. Nos dias atuais os Zootecnistas continuam a gritar o “Tudo pela Zootecnia”, fazendo-se valer da força contida nessa expressão (Ferreira et. al., 2006).
Portanto ser Zootecnista vai muito além do que ser apenas um profissional, ser Zootecnista é ter a certeza de que seu trabalho é nobre, pois somos nós que produzimos os alimentos que estão na mesa de todos os brasileiros diariamente, respeitando a fauna, a flora e os recursos naturais. Ser Zootecnista é nunca desistir, é sempre lutar, é tornar o impossível uma coisa simples e melhorar o que já é perfeito.
E como falava o saudoso Prof. Octávio Domingues “TUDO PELA ZOOTECNIA”.

FELIZ DIA DO ZOOTECNISTA PARA TODOS
A natureza cria e o Zootecnista melhora.

FERREIRA, W. M.; BARBOSA, S. B. P. et al. Zootecnia brasileira: quarenta anos de histórias e reflexões. Rev. Acad., Curitiba, v.4, n.3, p. 77-93, jul./set. 2006.

Uma homenagem em parceria:
Texto: Bismarck Passos - Zootecnia é 10
Imagem: Renata Lara - Minha vida na Zootecnia

Entrevista com o Zootecnista Prof. D.Sc Airon Melo da UFRPE/UAG

Colaboraram nesta entrevista os discentes de Zootecnia:

  • José Claudenildo Lucas - UFRPE/UAG
  • Núbia Araújo - UNIVASF

Para comemorar o Dia do Zootecnista, o Blog Zootecnia é 10 tem a honra de entrevistar neste dia tão especial para nós Zootecnistas o Professor Dr. Airon Aparecido Silva de Melo, onde este nos falará da importância do Zootecnista no agreste pernambucano, do mercado de trabalho para o Zootecnista e sobre o nosso tão sonhado Conselho Federal de Zootecnia.

Prof. D. Sc. Airon Melo
 O professor Airon é graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco em 1999, foi o aluno laureado de sua turma. Ainda na UFRPE, cursou o Mestrado (2000-2002) e Doutorado (2002-2004). Docente de Cursos de Graduação e de Pós-Graduação da UFRPE/UAG, o mesmo faz parte da primeira turma de professores contratados pela Unidade em 2005, tendo sido o primeiro coordenador do Curso de Zootecnia da UFRPE/UAG. É colaborador da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), presta várias assessorias aos produtores rurais do Agreste Meridional pernambucano e ministra mini-cursos e palestras em várias instituições do país – tanto no âmbito acadêmico, como no da educação não-formal. Trabalhou no Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e na Cooperativa dos Produtores Rurais de São Bento do Una, recebeu em 2010 a medalha de honra ao mérito Zootécnico do CRMV/PE.
Atual Vice-Diretor Geral e Acadêmico da Unidade Acadêmica de Garanhuns (UFRPE/UAG) e membro suplente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV/PE). Tem experiência em Manejo e nutrição de ruminantes, atuando principalmente nos seguintes temas: bovino de leite, semi-árido, palma forrageira, consumo, digestibilidade, síntese microbiana e comportamento ingestivo.

1-                  Qual a visão dos ingressantes sobre a Zootecnia, antes de iniciar a graduação? E quais são as maiores dificuldades quês estes encontram após o ingresso?

Há algum tempo atrás, a maioria das pessoas quando ingressavam em um curso de Zootecnia não sabiam o que é a Zootecnia e geralmente optavam por esse curso por possuir baixa concorrência e hoje como não existe mais Vestibular para ingresso na UFRPE, os futuros Zootecnistas ingressam no curso através do ENEM, o que mudou um pouco a concorrência que hoje é bem maior fazendo com que o ingressante tenha certa consciência. Só que na maioria das vezes o estudante acha que vai trabalhar com “bichinho” e na verdade ele se depara com um curso de engenharia. Para se ter idéia em Portugal a nossa Zootecnia é conhecida como Engenharia Zootécnica porque ao ingressar no curso de Zootecnia o estudante vai cursar disciplinas como matemática, física, Análise química, Bioquímica, muito parecido com os cursos de engenharia, então no momento em que ele se depara com essa realidade ele não vai ver o “bichinho” de imediato. O “bichinho” para nós é aquele que dá lucro, gera renda, ou seja, é o animal que tenha finalidade, seja ela de produção, trabalho, de convivência, más que tenha por trás o grande objetivo que é a geração de renda. Então primeiro se aprende as disciplinas já citadas para que se possa trabalhar o solo para produzir o alimento que vai alimentar os animais de interesse: bovinos, caprinos, ovinos, aves, ou seja, todos aqueles animais que tenham interesse zootécnico e econômico.

2-                  Qual a importância do curso de Zootecnia para o Agreste Meridional de Pernambuco?

Sabe-se que o Agreste Meridional é o grande responsável pela produção de alimentos em Pernambuco, diga-se de passagem, alimentos de origem animal, por exemplo, 75% da produção de leite de Pernambuco encontram-se nessa região; cerca de 70% da produção de aves de corte e de postura também se encontra inserida nessa região e em parte da Zona da Mata. Temos ainda cadeias importantes como a Equídeocultura, a bovinocultura de corte onde esses animais são criados juntamente com animais de aptidão leiteira uma vez que, boa parte dos animais abatidos no Agreste é de origem leiteira. Se nós pensarmos na Suinocultura, onde poucos sabem que somos fortes produtores de suínos devido justamente a nossa produção leiteira onde 50% desse leite é processado e o resíduo ou subproduto resultante desse processamento que é o soro é ofertado a esses animais.
Em resumo, a Zootecnia tem fundamental importância para nossa região uma vez que, todos esses sistemas de produção necessitam de conhecimentos técnicos e o profissional da produção animal, ou seja, o Zootecnista é quem faz, quem conhece e quem determina todo o manejo e toda tecnologia empregada na criação desses animais.

3-                  Como anda o mercado de trabalho para o Zootecnista recém-formado em Pernambuco?

Se pensarmos na Zootecnia até pouco tempo atrás poderíamos dizer que formar Zootecnistas em Pernambuco seria perca de tempo porque não havia mercado de trabalho. Más esse cenário vem mudando de alguns anos pra cá e um exemplo bem simples para falar em relação ao campo de trabalho é que boa parte dos nossos profissionais recém saídos da Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG) está encontrando espaço no mercado, parte está indo para os programas de pós-graduação Brasil afora e diante disso eu lhe digo que o mercado de trabalho é muito bom, o que precisa é nós mostrarmos nossa eficiência em produção porque antigamente se conseguia um emprego em Prefeituras, órgãos governamentais, empresas privadas, fazendas e granjas, ou seja, o profissional recém-formado dependendo da profissão já conseguia um emprego logo ao sair da universidade. Hoje o que se busca é trabalho e quando se contrata alguém para se prestar um serviço o que se quer em troca é um retorno e nada mais eficiente do que um Zootecnista para mostrar que sabemos produzir, que sabemos dar retorno econômico ao produtor. Em síntese é apenas mostrarmos o que sabemos fazer em beneficio da renda e da produtividade.
Um exemplo a respeito desse assunto que sempre falo, foi de três estagiários oriundos do Recife que vieram realizar o Estágio Supervisionado Obrigatório no Município de Buíque e ao termino de suas atividades todos eles haviam recebido proposta de trabalho, ou seja, os produtores viram que eles tinham conhecimento, que tinham como melhorar a renda através do ré-arranjo do que eles criavam (caprinos, ovinos, bovinos, etc.). Então veja bem, só por eles terem mostrado seus conhecimentos, organizando e administrando com competência, resultou na melhoria da renda desses produtores e fez que com que estes os contratassem, pena que não puderam fica, pois tinha que retornar para concluir seus cursos sendo que dois deles hoje se encontram segundo a carreira acadêmica e outro enveredou no setor privado.

4-                  Qual o perfil das empresas que o Zootecnista deve procurar no mercado?

Hoje o Brasil é um celeiro de empregos, principalmente empregos públicos. Há quinze anos atrás para surgir 100 vagas no emprego público demorava dez anos, hoje vemos diariamente uma gama de concursos oferecidos pelos órgãos públicos. Então uma das fontes de emprego hoje em dia, são as instituições públicas (prefeituras, órgãos estaduais e federais) através de concursos. Outra alternativa de emprego são as ONGs que oferecem assistência técnica. No setor privado, temos um bom exemplo aqui no Agreste onde uma empresa que seu dono é graduado em uma das profissões das ciências agrárias e entende bastante de economia, e os profissionais que ele tem buscado nos últimos tempos são os Zootecnistas, ou seja, ele está mostrando para o nosso discente, para os nossos professores e público em geral que o profissional que ele precisa para a empresa dele que é voltada para a produção animal é o Zootecnista. Então um cidadão que cresceu vindo de uma empresa pequena aqui do interior de Pernambuco e hoje  domina parte da nutrição e parte da venda de produtos agropecuários no Nordeste busca o profissional Zootecnista porque entende o valor que tem a nossa profissão.
Então no setor privado nós temos hoje um bom nicho de empregos, é só o Zootecnista mostrar que sabe, que pode dar um retorno tanto para o dono da empresa como para o público que ele atende.

5-                  Quais benefícios o Conselho Federal de Zootecnia trará para os Zootecnistas?

Responderei essa pergunta de forma bem simples e direta. Imagine o Bacharel em Direito sem a OAB, quantos profissionais seriam formados no Brasil sem capacidade de atuação, se ele não tivesse a OAB quem iria defender os direitos do Advogado? Então imagine nós Zootecnistas, com uma profissão de 46 anos de existência ainda sem um Conselho representativo. Somos vinculados ao Conselho de Medicina Veterinária tanto no Nacional como no Regional. Hoje faço parte da diretoria do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco como suplente. Entrei no CRMV/PE porque houve a garantia de apoio a nossa luta para a criação do Conselho de Zootecnia e a nova Diretora do CRMV/PE tem apoiado nossa luta. O apoio do CRMV para a criação do nosso conselho é muito importante e depois que nosso conselho for criado nós teremos uma identidade mais forte, seremos uma classe que teremos um órgão para defender nossos interesses e posições.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Principais Raças de abelhas introduzidas no Brasil


As abelhas surgiram na África, foram introduzidas na Europa, Leste da Índia e China. No Brasil, foram introduzidas pelos imigrantes europeus em meados de 1839, o Padre Antônio Carneiro conseguiu autorização do Imperador D. Pedro II para importar algumas famílias de abelhas do reino popularmente conhecidas como abelhas pretas (Apis mellifera mellifera).
Vivem em colônias, perfeitamente dividias em três categorias diferentes:

  • 01 - rainha
  • 60.000 - abelhas operárias
  • 400 - zangões

Colônia de abelhas

Em todo mundo há um grande numero de abelhas pertencentes ao gênero Apis, no Brasil, as principais raças existentes são:

·         Apis mellifera mellifera (Abelha real, alemã, comum ou negra)

São abelhas grandes e escuras, com poucas listras amarelas, possuem abdome largo e é bastante peluda. Tem sua origem no Norte da Europa e região Centro-oeste da Rússia, possuem língua curta e são bastante produtivas e prolíferas se adaptando com facilidade a diferentes ambientes. Possuem comportamento nervoso e irritadiço, tornando-se agressivas com facilidade caso o manejo seja inadequado, são pouco enxameadeiras, resistentes ao inverno e de fácil reprodução no verão. Quando cruzadas com abelhas italianas, geram descendentes com grande vigor híbrido.

·         Apis mellifera ligustica (Abelha italiana)

É a raça mais conhecida e criada no mundo e como o próprio nome diz são originárias da Itália, possuem cor amarela intensa, seu corpo é coberto de pêlos compridos e amarelados e no zangão , a coloração é mais pronunciada e uniforme em todo o corpo. São bastante produtivas e apreciadas por sua mansidão, quietude nos favos e pouca enxameação, fato que facilita sua amipulação por parte do apicultor. Possuem fraco sentido de orientação, são propensas ao saque e constroem favos rapidamente.

·         Apis mellifera carnica (Abelha cárnica)

É originária dos Alpes austríacos, vale do Danúbio e de uma parte da antiga Iugoslávia. São muito parecidas com a abelha negra diferindo na coloração de seus anéis que são cinza clara, são de grande portem possuem pêlos mais curtos e densos que as outras raças européias. São pouco propolisadoras, são tolerantes a doenças e bastante produtivas, são de fácil adaptação a diferentes climas e possuem maior tendência a enxameação.

·         Apis mellifera scutellata (Abelha africana)

São originárias do Leste Africano, mais produtivas e mais agressivas que as raças européias, suas operárias possuem desenvolvimento precoce, são mais ágeis ao atacar e atacam de forma persistente e sucessiva. Armazenam menos alimento que as européias e convertem alimento mais rapidamente em crias. São de fácil enxameação e migram facilmente em condições adversas.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Assinaturas de apoio ao PL 1732 que cria o CFZ

Caros colegas Zootecnistas, estudantes de Zootecnia e demais profissionais que apoiam a criação do Conselho Federal de Zootecnia e regionais, venho informá-los que expira no próximo dia 31/03 (sábado) o prazo para a coleta de assinaturas da moção de apoio ao PL 1372 (criação do nosso conselho). Na imagem abaixo o Presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ) Prof. Dr. Walter Motta Ferreira explica a importância deste documento e da instauração do CFZ.

Texto publicado no fórum de discussão da Zootecnia no Facebook.

Para visualisar a Moção de apoio clique no endereço http://www.abz.org.br/ultimas-noticias/noticias-abz/73237-apoio-pl1372.html

Assine a moção de apoio:

quarta-feira, 21 de março de 2012

Principais raças produtoras de leite no Brasil - Parte VII

Dando continuidade à série “Principais Raças Produtoras de Leite no Brasil”, falaremos um pouco das raças mestiças e sua principal representante na bovinocultura leiteira, a raça Girolando.
As raças mestiças são oriundas de cruzamentos entre duas ou mais raças, selecionadas para padronização morfológica e fixação de genótipos desejados.

RAÇA GIROLANDO

A origem do primeiro Girolando não dista muito do tempo. As primeiras notícias do surgimento desses animais datam da década de 40.
Pelos anseios dos criadores brasileiros, começou a ser praticado o cruzamento do Gir com o Holandês intensamente, procurando que as duas raças se complementassem com rusticidade e produtividade.
Certificando-se disso, em 1989 o Ministério da Agricultura, juntamente com as Associações representativas traçaram as normas para formação do Girolando - Gado Leiteiro Tropical (5/8 Hol + 3/8 Gir - Bi Mestiço), transformando-o em prioridade nacional.
Fonte: Arquivo pessoal
Vaca Girolando
Isso permitiu trabalhar com parâmetros objetivos, proporcionando mais probabilidade de acerto, diminuindo o tempo gasto no cumprimento da meta e fornecendo maior segurança ao investimento financeiro dos criadores engajados no programa.
A raça, fundamentalmente produto do cruzamento do Holandês com o Gir, passando por variados graus de sangue, direciona-se visando a fixação do padrão racial, no grau de 5/8 Hol + 3/8 Gir, objetivando um gado produtivo e padronizado.

Diagrama I - Cruzamento partindo do Gir.
Diagrama II - Cruzamento partindo do Holandês 
Segundo a Associação dos criadores de Girolando, esta raça apresenta boa rusticidade, alta fertilidade, longevidade, precocidade, ótima produção leiteira (80% do leite produzido no Brasil) e excelente habilidade materna.
Por ser uma raça mestiça, a Girolando possui uma gama de variações em suas características raciais que normalmente são permitidas, desde que não prejudiquem o desempenho produtivo ou tragam prejuízos financeiros ao sistema de produção.
Touro Girolando

A raça Girolando apresenta desempenhos considerados bons em regiões de clima tropical. Sua média de produção é de 3.927 kg de leite (lactação de 305 dias), e com relação aos grupos genéticos, as maiores médias foram de vacas com maior porcentagem de genes de holandês (vacas 3/4 e 7/8), com produções acima de 4.000 kg de leite. 

Vaca Girolando


CARACTERÍSTICAS

CABEÇA – Vista de lado, verifica-se que o perfil típico da vaca 5/8 é retilíneo, o da 1/2 sangue é subconvexo e o da 3/4 é subcôncavo, já que apresenta uma leve depressão na fronte.

PELAGEM – aceitam-se 73 tipos diferentes de pelagens para animais Girolando, as mais comuns são: Preta, preta bragada, preta chitada de branco, vermelha, vermelha chitada de branco, branca, branca pintada, amarela e variações.

PESCOÇO – Na parte superior do pescoço, que se inicia na nuca e prossegue até a região da paleta, encontra-se a coluna cervical. Tipicamente nessa região encontra-se o cupim dos zebuínos. Ainda no pescoço tem-se, na parte inferior, a região chamada de barbela, que, na raça Gir, é bem desenvolvida, pregueada, com a courama vem solta; já na Holandesa ela é bem reduzida, sem pregas, lisa, praticamente inexistente. Nos machos o pescoço é sempre mais musculoso e de tamanho médio, enquanto que nas fêmeas é longo e mais descarnado.

GARUPA – Guardadas as devidas proporções, as diferentes inclinações da garupa entre vacas 1/2 sangue, 5/8 e 3/4 está na seguinte ordem: a inclinação da 1/2 sangue é a maior e mais evidentes, pela presença de mais sangue gir; a 5/8 tem uma garupa intermediária, menos inclinada em relação à 1/2 sangue; e a 3/4, já com 75% de sangue holandês, tem uma garupa mais nivelada, bem mais plana em relação às outras duas.

UMBIGO – De acordo com o padrão racial, o umbigo da vaca 1/2 sangue é considerado médio, o da 5/8 é reduzido e o da 3/4 é um pouco evidente. Em sua descrição, o padrão é bem subjetivo, pois ele não determina uma medida média para cada grau de sangue. Espera-se sempre que o tamanho do umbigo seja proporcional tanto nas fêmeas como nos machos.

VULVA – Na vaca 5/8, ela apresenta um maior volume em relação à da 3/4 e com presença de estrias. Comparando a vulva da 5/8 com a da 1/2 sangue, o volume é menor e não tão nitidamente estriada como nesta.
Fonte: Arquivo pessoal
CAUDA – Deve apresentar inserção bem definida e harmoniosa na garupa. A inserção da cauda pode se apresentar alta, , normal ou baixa, sendo que caudas com inserção alta ou baixa devem ser evitadas, pois, normalmente, indicam defeitos que se prolongam até o osso sacro, interferindo na conformação da garupa. O comprimento é medido até o sabugo, região da ponta da cauda normalmente recoberta com pelos da vassoura, mas a vassoura não conta.
Nomenclatura da vaca Girolando

FONTE:

Associação Brasileira dos Criadores de Girolando – http://www.girolando.com.br/site/ogirolando/performance.php

AUAD, A. M.; SANTOS, A. M. B.; CARNEIRO, A. V. et. al. Manual de Bovinocultura Leiteira. 1.ed. Brasília: LK Editora; Belo Horizonte: SENAR-AR/MG; Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2010. 608p.: il.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dois anos de Zootecnia é 10

Hoje o Blog Zootecnia é 10 completa dois anos de existência e compartilha sua alegria com todos os seus usuários, porque sem vocês o sucesso do Blog não seria possível.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Principais raças produtoras de leite no Brasil - Parte VI

RAÇA SINDI

Tem origem na região paquistanesa do Kobistam, que dentre suas características apresenta terras áridas o que faz esses animais a percorrerem grandes distancias para buscar água. São animais dóceis, de elevada fertilidade e boa produção de leite.
Touro Sindi

Foi introduzida em nosso país na década de 30 com o intuito de tornar a Amazônia auto-suficiente na produção de leite e posteriormente foi levada a Região Nordeste, onde sob o clima semi-árido esses animais mostraram sua funcionalidade e rusticidade, uma vez que, esta localidade apresenta condições climáticas bem parecidas com sua região de origem.
Vacas Sindi

Atualmente encontra-se em fase de implantação um programa de melhoramento desta raça.
Os criatórios da raça Sindi são concentrados na Região Nordeste, e mesmo sendo considerada uma raça de dupla aptidão, sua característica leiteira é mais explorada.
A média de produção é de 1.700 kg por lactação.
Vaca Sindi co seu bezerro

CARACTERÍSTICAS

PELAGEM – Vermelha e sua tonalidades. Os machos são mais escuros, principalmente nas espáduas, cupim e coxas, chegando quase ao preto. Tonalidade mais clara ao redor do focinho e das quartelas e das áreas sombreadas. Pelos finos, curtos e brilhantes.

PELE – Preta ou escura, inclusive nas mucosas; solta, fina e flexível, macia e oleosa.

CABEÇA – Curta, de tamanho médio e bem proporcionado, perfil sub-convexo, fronte de largura média, chanfro curto, focinho preto e largo, com narinas dilatadas e afastadas, olhos pretos ou escuros e elípticos, cílios pretos, orelhas de tamanho médio, largas, um pouco pendentes, bem delineadas, com leve reentrância na borda inferior.

PESCOÇO – Proporcional ao corpo, com a linha superior ligeiramente oblíqua, bem musculoso e com implantação harmoniosa no tronco, delicado nas fêmeas, médio , estendendo-se até o esterno.

DORSO – Largo e reto, ligeiramente inclinado, tendendo para a horizontal, harmoniosamente ligado a garupa, apresentando boa cobertura muscular.

GRAUPA – Comprida, larga, ligeiramente inclinada, unida ao lombo sem saliência ou depressão e com boa cobertura muscular.

MEMBROS – De comprimento médio, com ossatura forte e delicada, mais finos nas fêmeas, corretamente aprumados e musculosos. Cascos pretos.
Vaca Sindi

FONTE

Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi) - http://www.sindi.org.br/

AUAD, A. M.; SANTOS, A. M. B.; CARNEIRO, A. V. et. al. Manual de Bovinocultura Leiteira. 1.ed. Brasília: LK Editora; Belo Horizonte: SENAR-AR/MG; Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2010. 608p.: il.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Principais raças produtoras de leite no Brasil - Parte V

RAÇA GUZERÁ

O hábitat do Guzerá é a região pré-desértica de kutch, em Gujarat, seqüenciado ao norte pelo deserto de Thar e pelo deserto de Sind. No Brasil, o Guzerá está espalhado por várias regiões mas é notória sua presença na região nordestina, onde foi a única raça que sobreviveu, produtivamente, durante os cinco anos consecutivos de seca (1978-1983), além de ter enfrentado também outras secas históricas (1945, 1952, etc). Também é muito criada no Rio de Janeiro - onde constituiu o primeiro núcleo de Zebu no país - em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, e vem se expandindo para todas as regiões, com notáveis resultados.
Touro Guzerá

O Guzerá foi a primeira raça zebuína a chegar ao Brasil, entre as que persistem . A raça foi trazida da Índia, na década de 1870, pelo Barão de Duas Barras, logo dominando a pecuária nos cafezais fluminenses. Surgia como solução para arrastar os pesados carroções e até vagões para transporte de café, nas íngremes montanhas, e também para produzir leite e carne.

Com a abolição da escravidão, em 1888, os cafezais fluminenses entraram em decadência, levando os fazendeiros a buscar maior proveito do gado, por meio da seleção das características leiteiras e cárneas. Os criadores de Guzerá foram os apologistas das vantagens e virtudes do gado, enfrentando a "guerra contra o Zebu", promovida por cientistas paulistas e estimulada pelo Governo Federal, ao mesmo tempo que abasteciam o Triângulo Mineiro, onde iria se sediar a futura "meca do Zebu".
Esta raça também é utilizada na formação de mestiços leiteiros, a duração da lactação é em média 270 dias, produzindo leite de qualidade com elevado teor de sólidos.
Nos rebanhos registrados da raça Guzerá, as médias de produção de leite, gordura, proteína e sólidos totais são respectivamente, 2.071 kg, 95 kg, 61 kg e 231 kg.
Vaca Guzerá e seu bezerro

CARACTERÍSTICAS

PELAGEM – Varia de cinza-clara a cinza escura. Terços anterior e posterior geralmente mais escuros, atingindo, às vezes, o negro; nas fêmeas, a cor é mais clara. Pelos finos, curtos e sedosos.

PELE – Preta ou escura; solta, fina e flexível, macia e oleosa; rósea nas partes sombreadas.

CABEÇA – Larga, relativamente curta e expressiva, perfil de sub-côncavo a retilíneo, chanfro reto, focinho preto e largo, com narinas dilatadas e afastadas, olhos pretos e elípticos, órbitas ligeiramente salientes, cílios pretos, orelhas pendentes, médias, relativamente largas, de pontas arredondadas e medianamente voltadas para a face.

PESCOÇO – Médio, bem musculoso e com implantação harmoniosa ao tronco. Barbela média, enrugada, solta e flexível.

CHIFRES – Desenvolvidos, simétricos, de seção circular ou elíptica na base, dirigindo-se horizontalmente para fora ao sair do crânio, curvando-se para cima, em forma de lira ou torquês, com pontas voltadas para dentro e para trás.

DORSO – Largo, reto, levemente inclinado, tendendo para a horizontal e harmoniosamente ligado à garupa, apresentando boa cobertura muscular.

GARUPA – Cumprida, larga, ligeiramente inclinada, tendendo para a horizontal, no mesmo nível e unida ao lombo sem saliências ou depressões e com boa cobertura muscular.

MEMBROS – De comprimento médio, ossatura forte, bem musculosos e aprumados. Cascos pretos.
Vaca Guzerá

FONTE

Associação dos Criadores de Guzerá do Brasil (ACGB) - http://www.guzera.org.br/#

AUAD, A. M.; SANTOS, A. M. B.; CARNEIRO, A. V. et. al. Manual de Bovinocultura Leiteira. 1.ed. Brasília: LK Editora; Belo Horizonte: SENAR-AR/MG; Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2010. 608p.: il.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Principais raças produtoras de leite no Brasil - Parte IV


A série Principais raças produtoras de leite do Brasil, entra em sua segunda fase, onde falará um pouco sobre as três principais raças leiteiras zebuínas do nosso país.
Esses animais encontram-se distribuídos em todo o território nacional, podem ser chamados de gado indiano ou zebu. Em comparação com as raças européias, se destaca por sua tolerância ao calor das zonas tropicais, sua resistência aos ecto e endoparasitos, alta capacidade de aproveitar pastagens grosseiras, costume de pastejar durante a noite maior tempo de pastejo sob sol intenso em regiões de clima tropical, alta fertilidade em regiões de clima quente, menor requerimento protéico calórico para mantença.
As raças indianas se diferenciam das européias principalmente pela presença da giba ou cupim, estrutura anatômica localizada sobre a região da cernelha do animal, apresentando-se mais avantajado nos machos e menos desenvolvido nas fêmeas, além de possuírem uma pele mais fina, resistente e solta com pigmentação abundante geralmente preta, pelos curtos e lisos que favorecem a eliminação do calor.
Nomenclatura do Gado Zebu

RAÇA GIR

Tem origem no sul da Índia, na região de Kathiavar, seus chifres longos e fortes, voltados para baixo e para traz, lhe garantiam o direito de defender-se contra o ataque de animais selvagens.
Esses animais são de grande porte e além da produção de leite são utilizados para trabalhos pesados devido a sua musculatura forte.
O gado Gir foi introduzido no Brasil em 1911, onde se adaptou muito bem as nossas condições climáticas. Atualmente é bastante utilizado em cruzamentos, sendo a preferida das raças zebuínas para a formação do gado mestiço leiteiro.
Fonte: Arquivo Pessoal
Touro Gir

Em 1980 foi criada a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), com o intuito de promover o melhoramento da raça para características leiteiras.
Possui temperamento dócil, sua lactação dura em média 286 dias, produz leite de qualidade com elevado teor de sólidos e suas médias de produção de leite, gordura, proteína e sólidos totais são respectivamente, 3.777 kg, 112 kg, 90 kg e 337 kg.
Vaca Gir

CARACTERÍSTICAS

PELAGEM – Vermelha, em todas as suas tonalidades: vermelha gargantilhada, vermelha chitada e chitada de vermelho. Amarela, em tonalidades típicas da raça: amarela gargantilha, amarela chitada e chitada de amarelo. Chita clara e rosilha clara ou moura de vermelho, moura clara, moura escura. Pelos finos, curtos e sedosos.

PELE – Preta ou escura; solta, fina e flexível, macia e oleosa. Geralmente, rósea no úbere e na região inguinal.

CABEÇA – De largura e comprimentos médios; perfil ultraconvexo; fronte larga, lisa e proeminente, com a marrafa jogada para trás; chanfro reto e largo, mais estreito e delicado nas fêmeas. Focinho preto e largo, com narinas dilatadas e afastadas. Olhos pretos ou escuros e elípticos situados bem lateralmente e protegidos por rugas da pele, nas pálpebras superiores, e cílios pretos. Orelhas de comprimento médio, pendentes, começando em forma de tubo, com sua porção superior enrolada sobre si mesma, abrindo-se em seguida, gradualmente para fora, curvando-se para dentro e, de novo, estreitando-se na ponta, com a extremidade curvada e voltada para a face.

PESCOÇO – Médio. Linha superior ligeiramente oblíqua. Bem musculoso e com implantação harmoniosa ao tronco.

CHIFRES – Apresentam cor escura, são de porte médio, simétricos, de seção elíptica, achatados, grossos na base, saindo para baixo e para trás. A preferência é pelos chifres que se dirigem um pouco para cima, encurvando-se para dentro, com as pontas convergentes.

DORSO – Largo e reto. Levemente inclinado, tendendo para a horizontal. Harmoniosamente ligado à garupa, apresentando boa cobertura muscular. Animais de aptidão leiteira apresentam dorso harmoniosamente ligado à garupa, com cobertura muscular consistente.

GARUPA – Comprida, larga, ligeiramente inclinada e tendendo para a horizontal, no mesmo nível e unida ao lombo, sem saliências ou depressões, e com boa cobertura muscular, que pode apresentar-se mais leve e consistente em animais de aptidão leiteira.

MEMBROS – De comprimento médio, com ossatura forte, bem musculosos, afastados e bem aprumados. Animais de aptidão leiteira apresentam musculatura mais leve, coxas e pernas com cobertura muscular adequada para acondicionamento de bom úbere.

ÚBERE – Deve ser amplo, comprido, largo e profundo, apresentando grande capacidade de armazenagem de leite, volume compatível com a idade e estádio da lactação, fazendo pregas quando vazio. A consistência deve ser macia e elástica (glanduloso) e não fibroso (carnudo). Seu piso deve ser nivelado e não ultrapassar a linha do jarrete. Deve apresentar ainda proporcionalidade entre a parte anterior e posterior. Os quartos anteriores devem se apresentar avançados para frente e aderidos ao ventre e os quartos posteriores bem projetados para trás e para cima.

LIGAMENTO CENTRAL – Possui grande importância em vacas produtoras de leite. Deve ser forte e bem evidente, pois irá garantir a sustentação e integridade do úbere que deve estar bem aderido à região inguinal. Quando visto por trás, evidencia-se o sulco do ligamento suspensor central. Está diretamente ligado a longevidade do úbere e permanência do animal no rebanho.

QUARTO POSTERIOR – Responsável por 60% da produção de leite. Deve ser amplo e volumo, com ligamentos fortes e bem aderidos na região inguinal.

QUARTO ANTERIOR – deve ser amplo e volumoso, com inserção suave no abdômen, possuindo ligamentos fortes e bem aderidos.

TETAS – Devem se apresentar íntegras e simétricas, ter comprimento de 5 a 7 cm, diâmetro de ± 3,3 cm, espaçadas entre si, centradas no quarto, verticais e paralelas, perpendiculares ao solo.

VASCULARIZAÇÃO – Deve ser bem conformada e com bastante drenagem através de diversas veias aparentes, tortuosas, de preferência ramificadas e penetrando por dois ou mais orifícios, além de possuir, no abdome, veia mamária de grosso calibre.
Fonte: ABCGIL
Nomenclatura raça Gir

FONTE

Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL) - http://www.girleiteiro.org.br/novo/?caracteristicas

AUAD, A. M.; SANTOS, A. M. B.; CARNEIRO, A. V. et. al. Manual de Bovinocultura Leiteira. 1.ed. Brasília: LK Editora; Belo Horizonte: SENAR-AR/MG; Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2010. 608p.: il.