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Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Mestrando em Ciência Animal e Pastagens pela UFRPE.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Trabalho genético explica mito do hormônio do crescimento em aves

Matéria publicada em 18/01/2007 no Jornal Folha de São Paulo

Por:

FLÁVIA MANTOVANI
TATIANA DINIZ
da Folha de S.Paulo

Sempre citada como alternativa saudável à carne vermelha, a carne de frango deixou de ser um produto simples de escolher. Nas prateleiras, variações mais caras como o frango "verde" e o orgânico chamam a atenção do consumidor. Afinal, além do preço, que diferença vem com as novas opções?
"Não tem hormônio." Essa costuma ser uma resposta comum. Na esteira de um sistema produtivo em que aves vivem cerca de 45 dias entre sair do ovo e ir ao abate, o mito do uso de hormônios de crescimento na avicultura ganhou força. Spams alertam sobre o risco de puberdade precoce em crianças. De leigos a médicos, não é raro encontrar quem cite o "frango cheio de hormônio" como um potencial perigo à saúde.
Mas hormônios de crescimento, ou substâncias anabolizantes, não são empregados na criação de aves. O que há é o uso de compostos promotores de crescimento produzidos pela indústria farmacêutica --geralmente por laboratórios que também fazem medicamentos para humanos.
A confusão de termos acompanhou o aumento da produção do alimento, que passou a acontecer em escala industrial depois da Segunda Guerra Mundial. É nesse ponto da história que começam a surgir as atuais estruturas de granjas, em que pavilhões abrigam até12 mil aves que crescem mais em menos tempo.
Criação de frangos de corte no município de São Bento do Una - PE
Os especialistas garantem que o medo do hormônio não passa de um mito. "É um grande mal-entendido. Não existe nenhuma possibilidade de haver uso de hormônio em frangos de corte. Os animais não respondem a essa substância, e ela não é viável economicamente", explica a professora Andréa Machado Leal Ribeiro, coordenadora do laboratório de nutrição animal do departamento de zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Gerson Scheuermann diz que, como qualquer outro animal, os frangos têm hormônios naturais. "Mas não são usados hormônios exógenos na criação", afirma o agrônomo, doutor em produção animal.

Melhoramento genético

Segundo os pesquisadores, o melhoramento genético feito durante décadas é um dos grandes responsáveis pelo maior ganho de peso em pouco tempo.
"Ano após ano, são selecionadas as melhores aves, as que ganham mais peso, as que têm melhor performance", esclarece Scheuermann.
O melhoramento é impulsionado, segundo Ribeiro, pelo fato de a galinha ter muitos pintinhos, o que permite fazer uma seleção melhor. "A vaca, por exemplo, tem um bezerro por ano. Já a galinha bota 280 ovos anualmente", compara. "Nossas avós conheciam um frango diferente do que temos hoje.
Em duas gerações, a ave mudou muito. As pessoas simplificam e acham que foram os hormônios", completa.
Segundo ela, estudos já avaliaram o uso de hormônios em aves, mas os resultados não foram bons. "Não encontraram nada que estimulasse o crescimento além do próprio potencial genético do animal."
Os avanços na nutrição (com rações consideradas mais balanceadas do que a dieta de um ser humano), o controle ambiental (como regulagem de luz e temperatura) e o desenvolvimento na prevenção e no tratamento de doenças também são apontados como fatores que fazem o frango crescer mais rápido.

Promotor de crescimento

Apesar de não serem utilizados hormônios, criadores convencionais colocam na ração os promotores de crescimento.
São antibióticos usados em dosagem muito menor do que a recomendada para fins terapêuticos. Por melhorarem as condições do intestino do animal, evitando diarréias, os produtos fazem com que ele aproveite melhor o que come.
Em muitos países da Europa, essas substâncias são proibidas. O argumento é que elas poderiam contribuir para a resistência das bactérias aos antibióticos, tornando os remédios desse tipo ineficazes para doenças humanas.
"É uma discussão recente no mundo, às vezes acalorada. A principal causa da resistência bacteriana são os antibióticos usados pelos próprios humanos. Além disso, a substância não se deposita nos músculos dos animais nem deixa resíduos", diz Scheuermann.
A inofensividade dos antibióticos não é unanimidade. "Ninguém pode dizer com segurança que não deixam resíduos. Exames não detectam moléculas inteiras dessas substâncias. Quimicamente, os resíduos teriam outra estrutura", observa Luiz Carlos Demattê Filho, gerente de produção animal da Korin. A empresa, seguidora dos princípios da agricultura natural da Igreja Messiânica, não faz uso de antibióticos nas criações de frangos.
Mesmo entre os criadores convencionais, a prática é suspender a inclusão dessas substâncias na ração nos sete dias que antecedem o abate. E, devido às restrições européias, os produtores brasileiros vêm diminuindo o uso delas por alternativas como extratos vegetais, probióticos e enzimas.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sem o Zootecnista não há peru de Natal

Semana natalina, é tradição não faltar um bom peru na ceia de Natal e o que pouquíssimas pessoas sabem é que por trás daquele peru suculento e saboroso existe a mão do Zootecnista.
Peru de Natal
Os perus pertencem a família Meleagrididae, nativas da América do Norte e Central e geralmente apresentam penas de coloração variando do cinza ao preto, na parte distal a coloração é mais clara dando a esta ave um aspecto zebrado, possuem cabeça desnuda e os machos possuem penas diferenciadas na altura do papo, que podem se erguer ao mesmo tempo que a cauda para a conquista das fêmeas.
O peru (Meleagris gallopavo) é uma ave de grande porte, podendo alcançar até 1,20m de altura e podem ultrapassar 30 Kg. Desenvolvem-se rapidamente, respondem muito bem ao manejo nutricional que lhe for proporcionado. Sua produção de ovos não é abundante, limitando-se exclusivamente a perpetuação da espécie e o período de postura possui duração de aproximadamente 29 dias.
Peru (Meleagris gallopavo)

A produção de perus é altamente competitiva e especializada, exigindo grandes instalações que possam abrigar algo em torno de 1.000 a 25.000 aves alocadas em densidades acima de 60 kg/m² (três machos adultos/m²).
No Brasil, sua criação concentra-se nos estados da Região Sul, especialmente na região da Serra Gaúcha.
Devido ao aumento significativo do consumo de produtos oriundo da produção de perus, houve uma intensa industrialização da carne de peru, aumentando a oferta de produtos como as lasanhas, patês e pizzas.
Com isso o Brasil é o terceiro maior produtor e exportador de peru atrás apenas dos EUA e da União Européia produzindo cerca de 5,1% da produção mundial.
Para a criação dessas aves, é fundamental que se tenha uma dedicação constante, boa higiene, alimentação adequada e boas condições de manejo.
Não podem ser criados em locais úmidos. É fundamental mantê-los num local abrigado, protegidos da chuva, vento e sol, sem contato com o chão. O piso deve ser ripado ou forrado com serragem ou palha seca.
Fatores como a orientação das instalações, necessidade ou não de sombreamento, material utilizado tanto na cobertura como na estrutura do galpão devem ser analisados com o objetivo de fornecer as aves um conforto térmico adequado ao seu bem-estar.
Diante disso, o Zootecnista torna-se indispensável na produção comercial de perus para que estes cheguem a ceia natalina saudáveis e saborosos.

Peru (Meleagris gallopavo)

sábado, 3 de dezembro de 2011

A importância da coleta de leite para análise

A cadeia produtiva do leite é uma das mais importantes do complexo agroindustrial brasileiro, produzindo aproximadamente 27,5 bilhões de litros de leite por ano, provenientes de um dos maiores rebanhos do mundo, com grande potencial para abastecer o mercado interno e exportar. Segundo dados obtidos da Embrapa Gado de Leite, o Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo sendo responsável por 48% do volume total de leite produzido nos países sul americanos.
Um leite saudável e de qualidade apresenta características organolépticas específicas como cor, odor e sabor, baixa contagem bacteriana total, baixa células somáticas, ausência de microrganismos patogênicos e resíduos químicos.
O leite é composto por água, gordura, proteína, lactose, minerais e vitaminas, seus teores são relacionados com a raça e manejo nutricional. Também é fonte de minerais, principalmente o cálcio, proteína e gordura, serve como o principal componente na alimentação do lactente humano além de ser uma fonte valiosa de nutrientes, especialmente para idosos por causa de seu conteúdo protéico e de cálcio.
Segundo Auad et al., (2010) o leite pode ser avaliado de acordo com sua qualidade composicional (gordura, proteína, Extrato seco desengordurado (proteína e lactose) e sólidos totais) e por sua qualidade higiênico sanitária (Contagem bacteriana total (CBT), contagem de células somáticas (CCS) e resíduos químicos contaminantes).
Os teores mínimos de gordura proteína e extrato seco desengordurado de acordo com a Instrução Normativa 51 (IN nº 51) são respectivamente 3,0%; 2,9% e 8,4% e os teores referentes a CBT e CCS encontram-se na Tabela 1.
A coleta de leite para a análise deve ser feita mensalmente como rege a IN n° 51, e a avaliação das amostras coletadas devem ser feitas em laboratórios da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite (RBQL) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).
De acordo com Teodoro & Verneque (2006), a coleta deve ser feita em todas as vacas em lactação por técnicos credenciados pelas organizações responsáveis pelo Serviço de Controle Leiteiro.

Além da coleta de amostras para análise, o controle leiteiro deve ser feito periodicamente, isso permite que se estime a produção de uma vaca durante toda a lactação e conhecendo-se a produção individual dos animais, podemos selecionar as melhores vacas para receberem alimentação de melhor qualidade, resultando em maiores produções a custos reduzidos (TEODORO & VERNEQUE, 2006).

Referências

AUAD, A. M.; SANTOS, A. M. B.; CARNEIRO, A. V. et. al. Manual de Bovinocultura Leiteira. 1.ed. Brasília: LK Editora; Belo Horizonte: SENAR-AR/MG; Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2010. 608p.: il.

EMBRAPA/CNPGL. [2010]. Estatísticas do Leite. Disponível em: <http://www.cnpgl.embrapa.br/nova/informacoes/estatisticas/producao/producao.php> Acesso em 28/11/2011

__________________. Instrução Normativa nº 51, de 18 de setembro de 2002. Regulamento Técnico de Produção, Identidade e Qualidade do Leite Tipo A, do Leite Tipo B, do Leite Tipo C, do Leite Pasteurizado e do Leite Cru Refrigerado e o Regulamento Técnico da Coleta de Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a Granel. Diário Oficial da União, 18/09/2002.Seção 3. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/ das/dipoa/in51.htm>. Acesso em 01/12/2011.

TEODORO, R. L.; VERNEUQE, R. S. [2006] Orientações para o controle leiteiro. Instrução técnica para o produtor de leite. Disponível em: <http://www.cnpgl.embrapa.br/nova/informacoes/pastprod/textos/20instrucao.pdf>, Acesso em 15/11/2011.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Raças Bubalinas

Os búfalos são divididos em duas grandes famílias: os búfalos de rio e os búfalos de pântano. Os búfalos de rio possuem origem asiática, sofreram seleção para a aptidão leiteira tanto na Índia quanto no Paquistão, tendo preferência por ambientes com águas claras e profundas. Pode-se mencionar também, como búfalo de rio o Preto ou Italiano (“Italian buffalo”) que, no Brasil corresponde à raça Mediterrâneo.
Os búfalos de pântano são animais de estrutura pesada, corpo curto e ventre grande, são muito utilizados como animais de trabalho nos países rizicultores do extremo oriente, possuem o hábito de se chafurdarem no barro, cavando buracos no pântano com seus próprios chifres pra que possam se cobrir com uma camada lama que lhes confere proteção contra o calor e contra os parasitas.
No Brasil, os búfalos são representados por quatro raças:
  • Carabao;
  • Jafarabadi;
  • Mediterrâneo;
  • Murrah.
 CARABAO

O carabao é um búfalo de pântano conhecido como o “Trator do oriente”, principalmente por sua força e musculatura desenvolvida, é originário da Indochina, possui a cabeça triangular, chifres grandes e pontiagudos, voltados para cima e porte médio.
É uma raça adaptada a regiões pantanosas e, por isto, apresentam pelagem mais clara em relação aos demais búfalos. São animais de médio porte, musculatura bem desenvolvida, membros curtos e fortes, possui dupla aptidão, produzindo carne e sendo excelente para a tração.

JAFARABADI

Raça oriunda da Floresta de Gir, na penísula Kathivar, oestee da Índia, possui pelagem preta, manchas brancas na cabeça e na parte inferior  dos membros são aceitoas, possuem chifres pesados e largos, estende-se para baixo e as vezes chega a cobrir os olhos, em sua extremidade viram-se para trás. É a raça de maior porte existente no Brasil.


A produção leiteira desses animais varia entre 1.800 e 2.700 litros (300 dias).

MEDITERRÂNEO

Possui origem italiana*, é uma raça de dupla aptidão, são considerados leiteiros por suas linhagens, porém no Brasil foram cruzados com animais da raça Carabao e com isso passaram a ter mais aptidão para corte.


São animais de cara comprida e fina, apresentando pêlos compridos e escassos na borda inferior da mandíbula, possuem corpo largo em relação a sua longitude e suas patas são curtas e robustas.
*As raças vindas da Ásia foram melhoradas na Itália, por isso que esses animais levam o nome de Mediterrâneo.

MURRAH

Originária do sul do Punjab, na Índia, é a mais dinfundida no que diz respeito à produção de leite. Em comparação com as demais raças é a que possui maior teor de gordura no leite em torno de 7%. São animais profundos e de boa capacidade digestiva, sua produção leiteira varia de 1.500 a 4.000 litros em 300 dias de lactação.

Apresentam cabeças leves e chifres curtos, espiralados, enrodilhando-se em anéis na altura do crânio, pele grossa, é a raça mais adaptada ao frio.


Fonte das Imagens: Associação Brasileira dos Criadores de Búfalo (ABCB)http://bufalo.com.br/racas.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

PALMA FORRAGEIRA NA ALIMENTAÇÃO DE VACAS EM LACTAÇÃO

Dr. Airon Aparecido Silva de Melo
Prof. Adjunto UFRPE/UAG, E-mail: airon@uag.ufrpe.br

A palma forrageira das espécies (Opuntia-fícus indica Mill e Nopalea cochenillifera Salm Dyck) foi introduzida no Brasil com o objetivo de hospedar o inseto cochonilha (Dactylopius cocus) para produção de um corante vermelho conhecido pelo nome de Carmim. Não alcançando êxito, passou a ser cultivada como planta ornamental, quando um dia por acaso verificou-se que era forrageira, despertando o interesse dos criadores que passaram a cultivá-la com intensidade. De composição química variável segundo a espécie, idade, época do ano e tratos culturais. É um alimento rico nos nutrientes água, carboidratos, principalmente carboidratos não-fibrosos, e matéria mineral, no entanto, apresenta baixos teores de fibra em detergente neutro comparada com alimentos volumosos, além de apresentar alta digestibilidade da matéria seca. Aspectos estes que deverão ser levados em consideração quando da sua utilização na alimentação dos animais. Pois estes nutrientes poderão interferir no trato digestível, através da taxa de passagem, digestibilidade, fermentação, produtos finais, absorção e consequentemente no desempenho e saúde animal. Quando utilizada como volumoso exclusivo provoca distúrbios metabólicos, tais como, diarréia não patológica, baixa ruminação além de variação negativa do peso vivo dos animais. Quando associada a uma fonte de fibra efetiva, considerando a relação carboidratos fibrosos/carboidratos não-fibrosos, tem-se obtido bons resultados. Portanto, devendo a palma forrageira ser utilizada como um ingrediente da ração animal, a qual deverá ser balanceada junto com outros ingredientes pára atender a necessidade dos animais, sabendo que a mesma não possui fibra efetiva suficiente para manter o ambiente ruminal em estado ótimo.

Resumo de palestra proferida durante o 2º Congresso Brasileiro de Palma e outras Cactáceas


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O INÍCIO, O PRESENTE E O FUTURO DA BUBALINOCULTURA NO BRASIL: REVISÃO DE LITERATURA

Bismarck Passos de Carvalho¹, Willian Gonçalves do Nascimento²
1 - Zootecnista, (bpcarvalho@zootecnista.com.br)
2- Zootcnista, Professor Adjunto da UFRPE/UAG, (willian@uag.ufrpe.br
  Introdução

A bubalinocultura teve início em nosso país no final do século XIX, mais pelo seu exotismo que por suas qualidades produtivas. Entretanto, por ser um animal rústico que apresenta grande adaptabilidade em ambientes adversos e possuir uma alta fertilidade e vida produtiva longa, esses animais logo se adaptaram as nossas condições edafoclimáticas, tanto que na década de 80 houve um crescimento e disseminação da espécie para diversas regiões, com o objetivo de ocupar os chamados “vazios pecuários” [4].

De acordo com Vaz et al. [10], a bubalinocultura deve ser fomentada, por já ter conquistado um espaço na pecuária de corte, adaptadando-se a solos de baixa fertilidade e a terrenos alagadiços, onde algumas raças bovinas não apresentam a mesma produtividade.

Segundo o IBGE [6] a população bubalina em nosso país conta com 1,2 milhões de cabeças divergindo da Associação Brasileira dos Criadores de Búfalo (ABCB [1]) que estima através de levantamentos indiretos o rebanho brasileiro em aproximadamente 3,5 milhões de cabeças. A divergência entre os dados do IBGE e da ABCB pode ser explicado pelo fato de que muitas vezes o registro dos bubalinos se confunde com os de bovinos, fazendo com que a população real de bubalinos fique subestimada [4].

A exploração desses animais destina-se fundamentalmente à produção de carne, porém, a partir dos anos 80/90, verificou-se um interesse crescente em sua exploração leiteira com duplo propósito (carne e leite) [4]. E ainda segundo o mesmo autor, pode-se aproveitar seu couro, sua força como animais de transporte ou tração e atualmente são muito utilizados no turismo rural.

O objetivo dessa revisão foi mostrar a evolução da bubalinocultura no país desde sua introdução até os dias atuais, tendo em vista que houve um significativo avanço desta atividade no Brasil e que muito em breve sua importância não será apenas restrita para as pequenas propriedades rurais, mas também a empresas produtoras e processadoras de alimentos, no que certamente deverá acarretar em uma organização da cadeia produtiva da bubalinocultura em nosso país.

Material e métodos

Foram consultados periódicos pertencentes ao acervo da Unidade Acadêmica de Garanhuns (UAG/UFRPE), da Scientific Electronic Library Online (Scielo) e de sites especializados.

Resultados e Discussão

A) Bubalinocultura de Corte

Os consumidores dos dias atuais são bastante exigentes no que diz respeito à saúde e a qualidade de vida baseadas em uma dieta saudável. Neste sentido, a carne de búfalo é a mais adequada para uma sociedade cada vez mais exigente, já que a mesma em comparação com a carne bovina apresenta menos colesterol, menos calorias, é rica em minerais e vitaminas.

Assim um dos maiores objetivos das pesquisas relacionadas à produção de búfalos é a busca de novas tecnologias para aumentar os rendimentos da porção comercializável e sua qualidade Isto pode ser conseguido se, na cadeia da carne bubalina, for feito um completo entrosamento entre os geneticistas, melhoristas, produtores, frigoríficos e especialistas em qualidade de carcaça e da carne, além do marketing [8].

Portanto, é necessário que sejam implantadas grandes mudanças da imagem da carne bubalina, como a criação de campanhas publicitárias que associem este produto a uma carne natural, saudável e pouco calórica [8].

Segundo Lourenço Junior et al.[7], foi criada uma marca para a carne de bubalinos jovens, identificada pelo nome de “Baby Búfalo”, que é obtido de animais abatidos precocemente, com boa aceitação no mercado.

O Rio Grande do Sul foi o Estado pioneiro no Brasil a colocar a carne de búfalo embalada a vácuo em redes de supermercado [3].

A produção de carne de búfalo é uma maneira mais produtiva e rentável, contudo, isso só irá acontecer, em escala mais significativa, se houver um esforço de marketing completo que atinja toda a cadeia produtiva, estimulando o consumo desse tipo de carne [8].

Fonte: http://www.iapar.br/modules/noticias/article.php?storyid=626
Búfalos com aptidão para corte

B) Bubalinocultura de Leite

A expansão da exploração de bubalinos com aptidão leiteira no Brasil teve início a partir da década de 90, obtendo um crescimento estimado de 15% em 2009 [1].

O consumo do leite bubalino vem crescendo através da oferta de ampla gama de alimentos, como a mussarela, a ricota, o queijo de coalho, a manteiga e outros derivados, alem do que é um produto superior ao leite bovino em se tratando de nutrientes.

Segundo Teixeira et al. [9], os derivados do leite de búfala apresentam uma ótima qualidade sensorial e nutricional, devido ao seu maior teor de cálcio, vitamina A, e paladar suave.

De acordo com a ABCB [1], foram produzidos 31 milhões de litros de leite de búfala e 5,2 milhões de quilos de mussarela, no ano de 2008.

Segundo Albuquerque et al. [2], já haviam relatado uma gradativa intensificação no manejo das búfalas em certas bacias leiteiras, com a adoção da prática de duas ordenhas diárias, suplementação de volumosos de melhor qualidade nos períodos de escassez das pastagens e oferta de concentrados com base no nível produtivo dos rebanhos, que permitiram uma elevação da produtividade média de 1.460 kg/lactação em sistemas de baixa intensificação para uma média de 2.431 kg em sistemas mais intensificados e de 2.955 kg em propriedades com melhor material genético.

Búfalas podem aumentar sua produção em até 50% se manejadas corretamente [5].

Segundo Bernardes [4], as regiões onde existem laticínios especializados na captação do leite de búfalas, é cada vez maior o número de produtores, que passam a se dedicar à exploração leiteira bubalina, com a qual tem obtido produção individual superiores às que obtinham com bovinos, mesmo com rebanhos ainda pouco selecionados.
Fonte: http://www.elchao.com/leche.htm
Búfala sendo ordenhada

C) Futuro da bubalinocultura no Brasil

O maior desafio da bubalinocultura em nosso país é a busca por uma melhor organização da cadeia produtiva de seus derivados visto que zootecnicamente esses animais demonstram ser capazes de entrar com força no mercado, pois, não restam dúvidas sobre sua excelente qualidade nutricionais o que coloca esta atividade pecuária como opção econômica aos mais diversos ambientes, mostrando respostas satisfatórias sem causarem danos significativos ao ambiente.

De acordo com Bernardes [4], o Brasil se encontra em uma posição privilegiada com relação à bubalinocultura posto que detém o maior rebanho da espécie no Ocidente, dispondo-se de exemplares com produtividade leiteira comparável aos melhores espécimes e, no segmento corte, já dispõe de animais com performances bem mais expressivas que as existentes nos países de origem onde a atividade foi pouco explorada.

Considerações Finais

A grande barreira para os pesquisadores que estudam a bubalinocultura é a escassez de material didático (periódicos, livros e revistas) que com o aumento desta atividade pecuária em nosso país há um consequente aumento da necessidade por mais informações nesta área, o que contribuiria de forma sinérgica com o crescimento da mesma que possui um vasto potencial ainda por ser explorado. Diante disso, cabe a nós profissionais das Ciências Agrárias a incumbência de melhorar esta situação com o aumento de pesquisas que visem o avanço da bubalinocultura no Brasil.

Referências

[1] ABCB. Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos. Disponível Acessado em 10 Ago 2011.

[2] ALBUQUERQUE, S.S.A; BERNARDES, O; ROSSATO, C. Avaliação da produção leiteira de búfalas na região sudoeste de São Paulo. Bol Búfalo ABCB, n.1, p.38, 2004.

[3] ASCRIBU. Associação Sulina de Criadores de Búfalos. Disponível < http://www.ascribu.com.br/Pagina/21/A-Carne> Acessado em 02 Set 2011.

[4] BERNARDES, O. Bubalinocultura no Brasil: situação e importância econômica. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v.31, n.3, p.293-298, jul/set, 2007.

[5] COUTO,A.G. Manejo de búfalas leiteiras. Circular Técnica, n.2, 2006. Disponível Acessado em 02 Set 2011.

[6] IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em Acessado em 20 Ago 2011.

[7] LOURENÇO JUNIOR, J.B.; LOURENÇO, V.V.; COSTA, N.A.; MOURA CARVALHO, L.O.D.; LOURENÇO, L.F.H.; SOUSA, C.L.; SANTOS, N.F.A. Evaluation of carcass income and physical-chemical characteristics of “baby buffalo” meat. In: Simpósio de Búfalos das Américas, 2002.

[8] OLIVEIRA, A. L. Búfalos: produção, qualidade de carcaça e de carne. Alguns aspectos quantitativos, qualitativos e nutricionais para promoção do melhoramento genético. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v.29, n.2, p.122-134, abril/jun, 2005.

[9] TEIXIERA, L.V.; BASTIANETTO, E.; OLIVEIRA, D.A.A. Leite de búfala na indústria de produtos lácteos. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v.29, n.2, p.96-100, abril/jun, 2005.

[10] VAZ, F.N.; RESTLE, J.; BRONDANI, I.L. Estudo da carcaça e da carne de bubalinos mediterrâneos terminados em confinamento com diferentes fontes de volumoso. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32,n.2, p.393-404, 2003.