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Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Mestrando em Ciência Animal e Pastagens pela UFRPE.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Microbiota ruminal

Os ruminantes são animais que possuem um estômago multicavitário, ou seja, dividido em compartimentos denominados de rúmen, retículo, omaso e abomaso. Os três primeiros possuem função associada ao processo fermentativo e o abomaso apresenta características similares ao estômago dos animais monogástricos. Essas estruturas anatômicas permitem a realização do processo de fermentação conferindo a esses animais o aproveitamento da fração fibrosa dos vegetais. No entanto, os ruminantes não produzem as enzimas necessárias para a digestão desta fibra, porém permitem que microrganismos capazes de produzir tais enzimas se desenvolvam em seu rúmen, sendo esta população composta por bactérias, protozoários e fungos.
A celulose e outros polissacarídeos presentes na parede celular de vegetais, constituem a maior fonte de energia para os animais herbívoros. E sua degradação é o resultado da simbiose entre estes animais e sua microbiota. Estes microrganismos também utilizam o nitrogênio não-protéico para a síntese de aminoácidos, sintetizam vitaminas e produzem os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que são os ácidos acético, butírico e propiônico.
O estabelecimento desses microrganismos no rúmen ocorre após o contágio dos animais recém-nascidos com sua mãe (por exemplo, o ato de a vaca lamber sua cria), com a ingestão de alimentos contaminados e, além disso, o esterco presente no piso do curral, nos pêlos, nas tetas, etc., está dentre as principais fontes de contágio, assim como o solo e as pastagens.

BACTÉRIAS

É a população mais diversificada do rúmen e seus principais grupos são relacionados com a degradação da fibra vegetal.

Bactérias fermentadoras de carboidratos estruturais (Celulolíticas)

Associam-se às fibras dos alimentos e degradam os componentes da parede celular dos vegetais, particularmente a celulose e a hemicelulose, as principais espécies são Ruminococcus flavefaciens, Ruminococcus albus e o fibrobacter succinogenes. Estes microrganismos vão promover a hidrolise da celulose através de complexos enzimáticos denominados celulases. As espécies celulolíticas produzem principalmente, acetato, propionato, butirato, succinato, formato, CO2, e H2. Também são liberados o etanol e o Lactato.
Fonte: http://microbewiki.kenyon.edu/index.php/Ruminococcus
Ruminococcus flavefaciens

Bactérias fermentadoras de carboidratos não-estruturais (Amilolíticas e Pectinolíticas).

Associam-se às partículas de grãos de cereais ou grânulos de amido e degradam os carboidratos de natureza não estrutural como o amido e açúcares solúveis como, dextrinas e frutosanas, podem utilizar a amônia, aminoácidos ou peptídeos para a síntese de suas proteínas. Produzem acetato, porém mudam para acetato, formato e etanol quando a concentração do substrato fermentável decresce. Os principais microrganismos fermentadores de carboidratos não-estruturais são, Streptococcus bovis, Ruminobacter amylophilus, Lactobacillus sp., Selenomonas ruminantium.

Bactérias lipolíticas

Hidrolisam triglicerídeos em glicerol e ácidos graxos, não é numeroso, pelo fato do ambiente ruminal apresentar potencial de oxidorredução muito baixo, característico de ambiente anaeróbicos. A espécie Anaerovibrio lipolytica hidrolisa lipídios e utiliza a ribose, a frutose, o glicerol e o lactato como fontes de carbono e energia. Esses substratos são fermentados a acetato, propionato e CO2, enquanto o glicerol é fermentado a propionato e succinato.

Bactérias proteolíticas

Como o próprio nome denuncia, degradam proteínas.  No entanto, existem algumas poucas espécies que utilizam principalmente aminoácidos como substratos energéticos. Destacam-se as espécies B. amylophilus, B. ruminicola, Butirivibrio sp., S. ruminantium, Clostridium aminophilum e C. sticklandii.
Fonte: http://ijs.sgmjournals.org/content/53/1/201.full
Butirivibrio sp

Bactérias ureolíticas

Apresentam-se aderidas ao epitélio ruminal e hidrolisam uréia liberando amônia. Exemplo: Enterococcus faecium.

Bactérias metanógenas

São as mais estritamente anaeróbicas do rúmen. Produzem metano a partir do CO2 e H2 derivados da atividade fermentativa das demais espécies, por exemplo: Methanobacterium sp., Methanobrevibacter sp.

Bactérias lácticas

Crescem em condições de baixo pH ruminal e utilizam, entre outros, ácido láctico como substrato energético, por exemplo: Megasphaera elsdenii.

Bactérias pectinolíticas

Fermentam a pectina. Embora a pectina seja um polímero de natureza estrutural, sua fermentação, assim como a as características das bactérias que a utilizam, são semelhantes àquelas que fermentam carboidratos não-estruturais, por exemplo: Succinivibrio dextrinosolvens.

PROTOZOÁRIOS

São organismos unicelulares, anaeróbios, não patogênicos.  Apresentam organização complexa e diferenciada com estruturas funcionais similares a boca, esôfago, estômago, reto e ânus. Alguns protozoários são celulolíticos, mas os principais substratos utilizados como fonte de energia são os açúcares e amidos que são assimilados rapidamente e estocados na forma de amilopectina. Uma característica peculiar dos protozoários ruminais é o quimiotactismo, ou seja, possuem a capacidade de se locomoverem num gradiente de concentração de açúcares ou glicoproteínas. São capazes de se fixar à parede do retículo e migrar em direção ao rúmen, logo após a alimentação do hospedeiro, possivelmente em razão do aparecimento de açúcares solúveis.

FUNGOS

Inicialmente os fungos eram considerados protozoários flagelados. Os fungos são parte integrante da microbiota ruminal e são encontrados em animais alimentados com dietas fibrosas, onde os zoósporos móveis aderem aos fragmentos das forragens e invadem os tecidos vegetais por meios de seus talos e rizóides. Após um período de crescimento vegetativo ocorre a formação dos esporângios que irão liberar os zoósporos maduros fadados a repetir esse ciclo de colonização do material vegetal ingerido pelo hospedeiro.

REFERÊNCIAS

BERCHIELLI, T.T.; PIRES, A.V.; OLIVEIRA, S.G. Nutrição de ruminantes. 1. ed. Jaboticabal: Funep, 2006. 583p.

KOZLOSKI, G.V. Bioquímica dos ruminantes. 1. ed. Santa Maria: Ed. UFSM, 2002. 140p.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Tilápias

As tilápias são peixes de origem africana, muito utilizadas na piscicultura desde o ano 2000 a.C. Além do seu valor nutricional, é apreciada pelo seu desempenho como agente biológico combatendo mosquitos e ervas daninhas aquáticas, como isca viva, na pesca esportiva e na aquariofilia tropical.
Os cultivos comerciais estão baseados num pequeno número de espécies e alguns híbridos. São elas: Oreochromis niloticus, Oreochromis mossambicus, Oreochromis aureus, Tilapia rendalli, Tilapia zilli e Sarotherodon galilaeus.
Sua introdução no Brasil se deu pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, em 1952 com a importação de exemplares da Tilapia rendalli para o repovoamento das represas com a finalidade de combater a proliferação de algas macrófitas aquáticas. Em 1971 o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) introduziu a espécie Oreochromis niloticus, que apresenta características aconselhadas para a piscicultura brasileira.
As tilápias são peixes que apresentam distribuição geográfica restrita a regiões com temperaturas não inferiores a 20°C, apresentando seus melhores resultados entre 26 e 32°C. Em temperaturas inferiores a 15°C, praticamente interrompem seu consumo de alimento, valores letais de temperatura encontram-se na faixa de 10 a 12°C.
Esses animais suportam baixas quantidades de oxigênio dissolvido na água, podendo sobreviver em níveis de 1mg/l. Porém a concentração de 0,1 mg/l é considerada letal. O pH ideal é entre 7 e 8, valores entre 3,5 e acima de 12 causam mortalidade em menos de 6 horas de exposição. As tilápias também apresentam grande tolerância a altas salinidades.
Outras características zootécnicas das tilápias que as indicam para a piscicultura: 
  • ·        Resistência a baixa qualidade de água e a doenças;
  • ·        Facilidade de manejo e cultivo;
  • ·        Tolerância a amplas variações ambientais;
  • ·        Capacidade de converter resíduos orgânicos domésticos e agrícolas em proteína de alta qualidade;
  • ·        Apresentam boa taxa de crescimento;
  • ·        Suportam bem o sistema intensivo de cultivo. 
O maior problema no cultivo de tilápias é sua alta prolificidade, resultando em grande competição pelo alimento, limitando o crescimento individual.
A desova ocorre durante os meses em que a temperatura da água encontra-se mais elevada, superior aos 24°C. Durante o período reprodutivo, os machos escavam buracos (ninhos) no fundo dos viveiros onde após o acasalamento as fêmeas irão liberar os óvulos que serão imediatamente fecundados pelos machos. Após a fecundação a fêmea recolhe os ovos e os mantém em sua boca durante toda a fecundação.
As tilápias de um modo geral são onívoras micrófagas. As pós-larvas e alevinos com 3 ou 4 cm já alimentam-se de partículas inertes, quando atingem 4 ou 5 cm aceitam alimento artificial com facilidade. A tilápia do nilo (Oreochromis niloticus) possui os rastros branquiais bastante desenvolvidos o que possibilita a filtragem da água para a retirada do plâncton e outros alimentos em suspensão.
Fonte: Arquivo pessoal.
Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus)

Fonte: Arquivo pessoal.
Filamentos branquiais da Tilápia do Nilo  (Oreochromis niloticus)

sábado, 9 de julho de 2011

Especialistas revelam como será o boi do futuro

por Sebastião Nascimento
 Ilustrações Maná E.D.I. 

Clones em escala industrial 
Técnica vai revolucionar a pecuária, ao permitir aos criadores fazer várias cópias de seus melhores touros para cobrir a vacada comercial .
Em todo o mundo, o Brasil é a nação que mais utiliza tecnologia genética de ponta no aprimoramento do rebanho bovino. O país está se preparando para os grandes desafios do mercado. É o que diz o médico-veterinário Rodolfo Rumpf. Ele chefiou a equipe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília, que criou a bezerra da raça simental Vitória, primeiro clone concebido na América Latina, dez anos atrás. Vitória está bem viva e até já pariu uma bezerrinha, em 2004. Rumpf dá agora mais um salto ao compor o grupo que trabalha no desenvolvimento de clones de touros em série para cobrir a vacada de rebanhos comerciais. A experiência, ainda na fase inicial, é resultado de uma parceria entre a Embrapa e a empresa privada Geneal, pertencente ao pecuarista Jonas Barcellos, da Fazenda Mata Velha, de Uberaba (MG), e ilustra o escopo funcional da engenharia genética animal no Brasil. “A proposta é atingir a base da pirâmide. Produzir clones de um reprodutor de alta qualidade e tornar acessível o uso das cópias no rebanho comercial, que vai ganhar eficiência.” É produção em escala para garantir carne de boa procedência e padrão, resume o cientista da Embrapa. 

A clonagem tradicional não chegou ainda ao médio e pequeno produtor, porque tem um custo proibitivo. A cópia idêntica de um bovino não sai por menos de R$ 50 mil. Para Rumpf, a democratização da genética é uma questão de tempo. As parcerias público-privadas vão permitir a união da bagagem científica de uma Embrapa, por exemplo, com o manejo e a prática nas fazendas. A clonagem para servir o gado comercial é a última palavra em termos de tecnologia – mas não está sozinha. A inseminação artificial em tempo fixo (IATF), técnica que cresceu 150% desde que chegou ao país, há quatro anos, vem provocando uma revolução nas fazendas. Com ela, o pecuarista ganha o poder do Criador. Em conjunto com a sexagem, a IATF deixa a reprodução do rebanho sob o controle absoluto do fazendeiro. Ele programa o sexo e a data exata de nascimento dos bezerros. 

A grande vantagem dessa técnica é que a vaca não precisa estar no cio para ser inseminada, pois a ovulação é estimulada automaticamente. A propriedade pode inseminar um grande número de animais em curto espaço de tempo. Além disso, pode programar o nascimento e o desmame para as épocas do ano mais favoráveis aodesenvolvimento dos bezerros. Há criações de grande porte que conseguem inseminar 400 vacas ao dia – são 30 de inseminação convencional. 
Os marcadores moleculares também já chegaram por aqui, com a função de descobrir, por meio da análise de DNA, uma sequência de genes que defina as características de um bovino. Exemplo: se ele possui os genes de maciez da carne. A novidade nessa área é um projeto que pretende identificar o potencial de um touro reprodutor logo após seu nascimento. Hoje, para se confirmar a potencialidade de um reprodutor, é necessário analisar seus filhos, o que leva em média quatro anos. 

Essa pesquisa tem como parceiros a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, da Universidade de São Paulo, e o laboratório Merial. Cruzando-se análises moleculares do DNA com as DEPs (estimativas sobre o potencial de um animal com base nos resultados de seus parentes), o intervalo entre as gerações será abreviado. Dessa forma, o fazendeiro poderá tomar hoje uma decisão que só viria dentro de três ou quatro anos. Detalhe: sabendo-se o potencial das DEPs. 

“A pecuária brasileira avançou 50 anos na última década graças ao uso de tecnologias de ponta”, diz o pecuarista Paulo de Castro Marques, presidente da Associação Brasileira de Angus. É por isso que os especialistas acreditam que, no futuro, na média nacional, o boi vai ser abatido entre 18 e 20 meses, pesando quase 500 quilos. 

Na área de sustentabilidade, a empresa mineira Safe Trace lançou uma tecnologia em que um chip é introduzido no rúmen do animal. Ao acessar o website da empresa, o consumidor terá todas as informações sobre a carne da gôndola. 

sábado, 18 de junho de 2011

Aprovado PL 1372/2003 que cria os Conselhos Federal e Regionais de Zootecnia

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade no dia 15/06/2011 o parecer que Cria os Conselhos Federal e Regionais de Zootecnia e dá outras providências. O Projeto de Lei é de autoria do Ex-Deputado Max Rosenmann - PMDB/PR.

Mais informações em:

http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=122423

http://www.crmvsp.org.br/site/noticia_ver.php?id_noticia=3493